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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

TU




Tu,

Ao que dormes,
Pereces em desamparo,
Leve e sereno, é pintura ao meu olhar,
Não só olho,
Aprecio o quadro,
Divago ao contemplar teu descanso,
Não sei as linhas suavizadas do teu rosto,
Ou as formas marcantes do teu corpo,
Ou o teu nu desconcertante,
Mexem, auferindo luz do meu olhar...


Como que em transe, confiro teus fios em desalinho,
Sigo em riste perscrutando,
Cada sinal em tua pele,
Fico tentada a tocar...
Seduzida a avançar...
Mas apenas meus olhos conferem,
Intensa, doce e ardente apreciação...


Parece que pressentes que estou velando,
Teu corpo move-se preguiçosamente,
Já não há mais lençol,
Pleno e desnudo,
Sem saber
Completas o desenho que faz meu olhar...
Amplia-se num espasmo incontido a obra-prima,
Arroubo de tela inteira...



Agora sim,
És obra exata,
Paisagem por sobre a cama.
E vem da janela a brisa contracenar,
O quarto inteiro se propõe qual cenário,
Suave e claro,
Quase chega o aurorescer...
E lá estou,
Observando enlevada tua arte,
A cena,
Tu,
Teu nu,
Teu sono afinal...


Não respiro,
Não quero a ti despertar...
Teu dormir é zona de encantamento,
E cá estou,
Silente e fascinada...
Êxtase do mirar...



Movimenta-te sonolento ao meu deliciar,
Sinto perto o calor do teu respirar,
Quando então abres lentamente os olhos,
Teus cílios tocam os meus magicamente,
E nus os olhares se permitem...
É assim que fazes o convite,
Pois já sou enlaçada por ti...
Adentro então teu cenário...



Somos agora obra única...
Já não sou eu a te fitar...
Teu sono vigiar.
Sou novamente o pleno objeto do querer,
Somos a soma do infindo desejar...
Pertenço então ao teu inteiro devotar.
Meu desejo o teu a despertar...
Acordando,
Acordados,
Acordo de intenso e pleno amar...




.

Acalorada Ausência II




Acalorada Ausência II

Parte 2

A casa ta limpa,
A alma arrumada,
A pele tem cheiro de flor,
Tem toque macio, tem gosto,
(De) leite...


A cama está pronta, feita.
Lençol esticado.
Perfeita.
Convite calado,
De aroma exalado,
Tem ares de palco,
Apto a ser encenado.


Tudo é exato,
Espera-te,
Minuciosamente pensado,
Planejado para o teu regressar...
Perfume inflamado, desejo no ar...



Vem,
Pelo caminho queimarás de imaginar,
Teu corpo por ti pensará,
Involuntário, arderá,
Volúpia em ti se fará...


Ao meu murmurar,
Sussurra(n) do... “ Vem”
Te desligarás do mundo que é teu,
Porque inteira e doce, estarei navegando,
Secreta em ti,
No teu imaginar,
No teu corpo,
Iriante...


E asseguro,
Não tardarás,
Teu desejo o meu caminho percorrerá,
E nenhum som verás,
Nenhum olhar ouvirás,
Somente eu,
Enigma que a mim te trará...
Atrairá,
Vem...



Corre,
Depressa,
Já te espero em flor entre aberta,
Pronta para ao teu sutil toque,
Desabrochar,
Vem
Me (te) revelar,
Que já sou toda convite,
E toda resposta,
Intimação,
Propondo-me a ti...


Cada partícula minha é intenso cobiçar,
É imenso querer-te inteiro e meu,
E só de te pensar,
Cada fome de ti põe-se a (re) clamar.



Logo, por isso não evita,
Vem...
Minha boca urgentemente o teu corpo inteiro tragará,
Meus dedos aflitos buscaram cada entorno teu decifrar,
Meus líquidos desejos querem te percorrer,
Tuas entranhas penetrar...
E te invadir, ao léu e a esmo,
E se (me) deixar invadir,
E misturar,
E se (nos) misturar,
Suores, sal e sabores,
Olores,
Ardores...


Logo...
Vem...
Vem agora,
Não peço,
Não rogo,
Quero intensamente...
A ti,
Unicamente...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Acalorada ausência




Acalorada ausência

Parte 1

Dormir ausente de ti.
É como dormir do avesso,
Sem berço,
Rota e moribunda,
Sem ti me desconheço.
Dormir sem estar envolta por ti é
Definitivamente vaguear,
Perambular no sono e não descansar.


Ontem de mim foste distante.
Apartado.
Revirei-me por dentro, catei teu cheiro em mim.
E inodora fui.
Ontem,
(Não) dormi sem ti.
Desse envolver tenho vício,
Da pele que atiça tenho falta,
Do olho desnudo que despe o meu no amanhecer
Sou viciada...
Dependo
Decorro,
Derivada desse teu existir,
Do teu desaguar tenho sede,
Fome,
Ávida e em sofreguidão...
Insaciável de ti.



Ontem, na noite perene e escura.
De mim te foste,
Levaste a calma e a serenidade
Carregaste minha mansidão.


Restou um fogo que chorava e ardia.
Ardia e queimava,
Incendiando as horas,
Corpo e cama não se entendiam.
Passou um furacão, revirou,
Sacudiu,
Tremeu...
Foi a ausência de ti.



Agora nas agruras das horas,
No cansaço do olhar te peço
Vem,
Vem pacificar esse estômago a revirar
Vem!
Sanar com teus beijos a febre que seca,
Vem copioso,
Veemente,
Intenso e revoltoso,
No meu mar de convulsivos quereres esgotar.
Impetuosamente...
Exaurida quero estar...



Espero e quero,
O teu enredar,
Esse embaraçar de teias e pernas,
A confundir-nos de tão unos,
Entranhados,
Embrenhados na lascívia desse (a)mar.
Vem,
Não tarda...
Agonizo,
Não te atrasa...
Padeço de tanto te cobiçar...

Irrefutável alvitrar......





Irrefutável alvitrar (EC)


Que fazer se ele tinha predileção por estar enclausurado,
Acorrentado,
Trancafiado em seus recônditos porões?
Afinal o que falar se era praticamente impenetrável,
Inacessível,
Imponderável que aparentava,
Canto obscurecido no qual prevalecia o breu... Intenso e enigmático breu?


Havia que ter um jeito,
De roubar um sorriso que fosse,
De desatravancar um milímetro qualquer a barricada,
Afrouxar os nós das duras amarras,
Permitir,
Conceder,
Destravar...


Aquelas imensuráveis e quase permanentes trincheiras não nasceram ali,
Não tinham estado sempre erigidas.
De certo que não...
Quiçá nos primórdios,
Houve, ainda que anteriormente um fugaz consentimento,
E então eis que sucedeu um COM_sentimento,


continua...

http://recantodasletras.uol.com.br/prosapoetica/2075629

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sinfonia......



Sinfonia

Sons, letras
Arranjos interiores
Poesia em sintonia...

Uma entrevista minha na CBJE





Roseane Suely Pinto Marques Ferreira

Eu por mim...
Roseane Suely Pinto Marques Ferreira, natural de Belém do Pará, cidade das Mangueiras, nascida em um 24 de dezembro de um ano assim... Administradora de Formação, o que não impede de ter uma caneta impressa na alma. Envolta no mundo das letras, contraste com a vivência profissional de cifras e números que a realidade me impõe. Mulher das finanças, e também das divagações poéticas.

Quando tudo começou...
Na tenra infância, em Salvaterra, no Marajó, onde havia muita praia, brincar de roda a luz das estrelas, e dormir escutando o encher e vazar das marés. A biblioteca simples da escolinha de Primeiro Grau foi algo de engrandecedor. Lá li toda a coleção de Monteiro Lobato, Sítio do Pica-Pau Amarelo em edição sem gravuras e tantas outras obras maravilhosas. Lia corretamente aos....


continua aqui:

http://www.camarabrasileira.com/entrevista408.htm

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Árido Jardim.....





Árido jardim

Meus versos constroem-se no cerne, na alma.
A planta é criada meio ao ócio da ilusão.
Sem limites, o mestre da obra é o coração.

Andar por andar, piso por piso, ergo a missão.
Compactar, união plena, poema é a expressão.
Sedimentados, com ou sem rimas, rija conclusão.

Obra sempre surge ante ao vazio, ao quase nada.

Florescer no pedregoso, ressequido, árido jardim.

Dezembro vindo.....

Daisypath Anniversary tickers
Monarch Butterfly 2

Escrevo para.........

Quando escrevo exorcizo fantasmas, é meio abstração e também minha realidade se despindo.Sou eu me confessando a mi mesma.

Um Poetrix ...verdinho......


Escrevo para....

Escrevo para por no mundo pequenas ânsias, escrevo para aportar desejos aflitos, escrevo para me salvar, é como Jogar as âncoras, o barco ora vai ao sabor das ondas, ora é a deriva....
Escrevo para acariciar as suas almas,e ser tocada por seus olhos impressos de brilho!
escrevo para Gozar,Flutuar, ser e merecer, Escrevo para seus delírios, seu deliciar!
Escrevo para vocês,
Agradeço seus olhos em mim, na minha ruptura poética!
Escrevo!

Muito grata por me sorverem as letras!
A todos que aqui passarem seus olhos, mentes e corações!
Rose

Sobrepondo Sonhos.....