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domingo, 31 de janeiro de 2010

Tanca 87




Tanca 87

Pétalas libertas
Poesias voejantes ao léu
Flores consentidas.

Colorem perdido olhar.
Inebriante perfumado.

Tanca 86



Tanca 86

Versos emotivos
Oriundos do coração
Brotam, desabrocham.

Livres, barreiras transpostas.
Vívidos, são poemas plenos.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Voltar - poetrix




Voltar

Catar palavras
Lavar mágoas
Recomeçar...

Abraçar - Acróstico





A brir a alma, limpar coração.
B rincar com a energia, trocar.
R evitalizar-se, receber carinho.
A queçer do frio, da desesperança.
C uidar cometer um gesto de afeto
A rrancar do peito o rancor, a mágoa.
R eencontrar razões! Fazer as pazes com a vida!

# linda imagem obtida na Internet.

haicai 213




Haicai 213

Som do Marabaixo
Tradição com Gengibirra
Vinda dos quilombos.



#Gengibirra é nome da bebida servida nas rodas de batuque e marabaixo. A receita que embala as senhoras e senhores que entoam os ladrões, às vezes durante a noite toda, é a seguinte:
Rala-se o gengibre (3) e coloca-se a ferver, em um litro e meio de água. Acrescenta-se alguns cravinhos-da-índia (cerca de 3 ou 4). Em outra panela, leva-se ao fogo 400 g de açúcar, para caramelar, até que adquira um tom dourado escuro. Após isso, junta-se esse caramelo à mistura de gengibre que ainda deve estar a ferver, deixando-se tudo ficar reduzido a um litro. Em seguida, retira-se do fogo. Adiciona-se cachaça a gosto e é só servir a bebida, que cai muito bem quando gelada. ( informações da Internet)

Haicai 212




Haicai 212

Cultura e ritual
Quer profano ou religioso
Dias de grande festa.

Haicai 211




Haicai 211

Coloridas saias
Ressoar surdo dos tambores
Cantorias e danças.


# Imagem obtida na internet, casal dançando Marabaixo, cultura tradicional de Macapá -AP

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Haicai 202 e 203





Haicai 202

Bela Macapá
Cidade de imenso Rio
Rio atenção do mundo.

Haicai 203

Amazonas, Rio
Turvas e profundas águas
Perder-se no olhar.

Incrustada vontade..........




Incrustada vontade...

Ainda há no todo uma vontade que não sacia,
Há nos brancos papéis o vazio da solidão
Na ordem da cama arrumada o desejo velado do desalinho
Há versos que querem ser ditos, urgem ser expelidos.


Palavras que rebuliçam a alma,
Vontade insone de transgredir, traduzir querer em amar...
Há uma invisível alvura de letras, transparência verbalizada.
Palavras escondidas sob um véu transparente das vontades...
Um lacrado baú de intenções a serem transpostas
Cujo lacre é suave risco de giz...

Vivem resolutas paixões que instam viver
Batendo a porta do sótão, suplicando escadas,
Escapar da torre, atirar-se ao abismo,
Há sinos repercutem, ecoando sons,
Traduzidos em ardências, frigindo emoções,
Ainda há muros de seda a transpor, véus que anseiam voejar...


Tem um fogo quase incontido queimando a pele, o imaginar.
Há sumos que fluem, rios que visam incontestes o mar bravio.
Eu, bandeira acenando, ilha solitária, buscando ardentia
Eu querendo me socorrer da falta explicita de ti...
Eu solenemente repleta da tua trágica ausência,
Eu... abstida de qualquer indício de ti.....
Conclusa e rematada,
Sem ti...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Haicai 214





Haicai 214

Foi densa floresta
Foi verde vegetação
Restaram só cinzas.

Tanca 85




Tanca 85

Sons repinicados
Do Batuque e Marabaixo
Cultura e tambores.

Sincretismo religioso
Pulsação, etnia de um lugar.

# Imagem obtida na Internet.

Beijar o céu - Poetrix




Beijar o céu

Suaves e plenas
Voejando ao léu
Cores e magia.

Inevitável escrever...




Inevitável escrever...

Cato letras no universo poético interior,
Sigo rumo ao denso, busco a desconhecida poesia
Os versos que desvendarão o meu sentir.
Vou,
Aprofundo,
Investigando que composição desaguará?
Sei, produzirei aquilo que planejo segredar.
Silente escrevo para não dizer,
São palavras mudas, inaudíveis...
Mais que entrelinhas são nacos do fundo interior,
Retalhos, recortes, alinhavos de alma, de coração...
Vasculho cantos escuros e retiro rimas plenas,
Nuances de sonhos
Ilusões...


Continuo incessante procura,
Careço da expressão escrita dos sentimentos
Porções poéticas desabrocham,
Vertem, fluem ante o rebuliço íntimo,
Ante o palpitar incurável,
Diante da ânsia de desvendar o porvir...
Sigo,
Prorrogando cada diminuta linha construída nesse percorrer,
Alongo estrofes, estendo verbos infindos,
Sons de silêncio, do meu completo silenciar...


Por vezes creio que falam por mim palavras sem palavras
Palavras sem sons, secas...
Julgo que a expressão mais forte em mim vem da escrita,
Com ela sei mais de mim, e findo por me revelar...
Em mim o cotidiano dos vocábulos faz uma imensa diferença
Deixa de ser grafia solta, e torna idéia, retrato, reflexo...
Pedaço de mim...


É assim, prossigo a procura que não cessa.
O inquirir infindável por expressões reveladoras
Um pouco de quietude para aflição,
Escrever para se (me) socorrer.
Criar para elucidar
Compor para capturar a lucidez.
Expressar letras, em telas desenhar...
Escrever, abastecer as vontades,
Desvendar os quereres, para não enlouquecer.
Ser e escrever,
Escrever e ser...
Recitar os afetos, a essência,
Concluir as energias, inferir o mistério,
Enigmas que há nos versos,
Na vida...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

tancas 82 a 84




Tanca 82

De frente: Amazonas
Olhar para o rio sem fim
Perder-se no imenso.

Imensidão além das águas
Perfeita contemplação.

Tanca 83

Linha do Equador
Marco zero delimita
Viver o equinócio.

Dias e noites tão iguais.
Divisório imaginário.

Tanca 84

Macapá dos negros
Da APA da vila Curiaú
Antigo quilombo.

Área de lagos e verdes
Remanescente história.



# na foto, a APA do Curiaú, quem está na cena é minha filha.

Trovinhas para o espelho




Trovinhas para o espelho

I
Espelho espelho de mim
Quero saber perguntar
Que reflexo mostra assim
Podes enfim explicar?
II
Diz-me não aquilo que eu espero
O que tu pensas de mim
Vai não mente sê sincero
Revela quem sou por fim.

III
Espelho meu da alma minha
Conta-me desses segredos
Que comigo vai, caminha
Que são quase meus degredos.

IV
Conta-me o que está guardado
Espelho tu sabes bem
Faz o segredo quebrado
Diz-me o que de mim vai além.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Verde verdade....


Verde verdade

Voraz vilipêndio
Visco vergonhoso
Ver-te vulnerado.

Verde - Tautotrix em " V"




Verde

Ver-te
Vertendo-se
Vozes vociferam: vil vilania!


#imagem obtida na Internet

De (quase) TUDO QUE EU SEI....




De (quase) tudo que eu sei...

Sei discernir do bom o ruim
O excelente do apenas razoável.
Sei o sabor do doce e do sal
O gosto picante, o acredoce.

Sei olhar o céu, quando azul ou cinza
Quando há chuva em pleno sol.
Sei contar estrelas na escuridão.
Sei dos aromas de terra molhada,
De solo suado, do frio, do calor...


Sei separar do bem o mal
Um terno abraçar de um amargor
Sei a emoção do olhar que sorri farto
Sei ver através do ser o querer, o desejar.


Sei falar em silêncio, com a mudez dialogar
Sei driblar na escuridão o só da solidão,
Sei quando azula a liberdade no negrume da prisão
Sei compreender a falta: solene, latente ou dolente.


Sei de letras, das tintas, grafites. De poema e fantasia.
Sei da musicalidade do verso alado que apaixona
Sei contar rimas coloridas pela fresca brisa
Sei do encantar em prosa, da poesia perdida
De barquinhos de papel na enxurrada de sonhos...


Sei de mim, do abandono do seco, do engasgar
Do choro contido eu sei. Sei do que se faz perdido
Da flor interior, do respirar do compor, suplantar.
Sei de quem ontem fui, do que hoje eu sou...


Sei aonde vou, mas carrego guarda-chuvas
Sei do calvário de transportar pesada dor
Sei, no entanto fazer leve, cabível e menos sofrível
Sei do conviver com a sombra, aniquilante vazio...


Sei muito, sei tempo, sei tanto,
Tão pouco, quase tudo, quase nada...
Só não sei me esconder da busca de ti.
E não sei distância, do de ti me apartar.
Não aprendi. Nunca li. Disso me perdi.
Não soube, não sei
Desconheço, ignoro...



Não sei, não sei... Desconheço-me completamente sem ti.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010



Vem (FIB)

Chega

Encosta

Bem pertinho

Deixa eu te sentir

Tez, aroma, do amor, sabor.

Doce querer - FIB invertido














Doce querer (FIB Invertido)



Pois que te quero de verdade
Espero-te a tanto
Avidez
Desejo
Pressa
Vem
Vem
Logo
Espero
Doce amor
A muito que anseio
Pois te quero: voracidade.

Vem - FIB REfletido


Vem (FIB Refletido)

Logo

Urgente

Sem tardar

Chega de repente

Vem te apronta para ficar.

Pois que te espero

Não demora

É agora

Chega

Logo


Vem


Sentidos e quereres ( Poesia sensual)




Sentidos e quereres...


Quero de ti a razão, volúpia para escrever.
Poemas, mantras, com magistral maestria.
Quero de ti o motivo de fazer rubra poesia.
De dedilhar comoventes os desejos a arder.


De ti quero frenéticos ruídos indecentes
Quando em brasa, uivos que acendam a lua.
Aspiro teus sons em sobejidão, eloqüentes.
Quero de ti versos plenos, amor feito na rua.


De ti anseio aromas de mel e de languidez.
Cheiro brotando no cio, odor de gozo, prazer.
Sorver sedenta teu sumo saboreando avidez.
Beber-te entorpecida e no depois desfalecer.


Quero de ti tudo agora, cada recanto teu apreciar.
Enxergar os teus delírios, rimando contigo assim.
Quero de ti: tez, harmonia, toque pleno, averiguar.
Sentir a pele, iguaria, urgência da cobiça sem fim.


Quero-te: nesta hora, hoje, amanhã, sem data marcada.
Quero-te inteiro e rijo, composto em letras inebriantes.
Quero de ti voracidade, amante intenso e mais nada.
De ti quero o todo, o ser, sermos unos, depois e antes.


Quero de ti, de ti quero, quero a ti... vem...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Folheando a saudade.....




Folheando a saudade

Li sobre saudade. Mais uma vez.Mais uma diversa leitura, acolhi de repente uma inexplicável saudade.
Lia que descrever, traduzir se faz pouco, pequeno e finito.
Entendi. Concordei.
Eis a diferença. Saudade é infinita.
Conceituar impossível.
Comporta-se em letras, caber em sílabas, palavras, trechos, textos, laudas enfim não há.
Entendi também. Câmbio.
Saudade não se comporta. Não cabe. Não se delimita. Apenas estende-se no horizonte infindo das nossas melhores lembranças.

Ler a saudade do Escritor fez a minha fluir. Lenta e vagarosamente.
Sorvida, refletida. Voltei ao ponto. Um sem número de vezes. Voltava ao texto ao mesmo que voltava no tempo, no passado: quer no longínquo,quer no recente.
E sentia o olor, contemplava nuances de cada cor, revia olhos, revisava olhares.
Viagem ao centro de mim. Num passe de mágica.Fechar os olhos,abrir a memória.
Buscar a saudade lá no fundo coração. Descer ao poço balde e corda.
Vê-la vir, límpida...

Remeti a sentimentos, arremessei-me sem amarras. Embarquei na nau das lembranças.
Como disse o Poeta, é lá que reside a saudade.
Retirei as cobertas dos antigos móveis empoeirados, abri janelas, escancarei portas. Deixei a saudade entrar... com direito a brilho no olhar e discreto sorrir.

Da infância livre na Praia dos Coqueiros, dos primeiros inocentes amores. Das relações maduras e especiais. Dos queridos que se foram. De amigos tão distantes. Da filha tão longe. De tempos assim memoráveis. Da casa cheia dos avós, das festas constantes, do riso e da brincadeira das crianças (eu era uma delas) de tanto, de cenas, lugares, pessoas, sabores, aromas, indescritíveis saudades.
Múltiplas, diversas e uma só. Como disse o poeta.

Guardadas e organizadas em gavetas, armários do nosso existir. Feita para de lá retirarmos, sentirmos e depositar de volta, guardar novamente. Afetuosamente. Cuidadosamente. Afinal são relíquias do nosso coração. Constatações dos nossos sentimentos.
Do humano que há em nós.
Demasiado humano.


# Texto cometido após ler a “Saudade” de Raí. Recomendo.
O que é saudade? - http://recantodasletras.uol.com.br/cronicas/1975580

Tons ( nuances) de Romance- Rondel





Na paixão da leitura, um constatar. O Romance que faz a vida alegrar.
Do conceito em frase um novo ditar. Um repercutir poético.


Tons (nuances) de Romance.

Se viver assim sem te sentir
É cor sépia, qual não romancear.
È como um seco oco existir.
Sem o vermelho rubro do amar.

Paixão, sucumbindo ao olhar.
Desejo, de não querer resistir.
Se viver assim sem te sentir
É cor sépia, qual não romancear.

Romance, fazer a vida viva fluir.
Prazer, emoção, vibrar, revigorar.
Enfeitar: de grená, carmim colorir.
Mas sou barco posto a naufragar
Se viver assim sem te sentir.

# Produzido após leitura da frase “O Romance” do escritor Raí.
Recomendo.
http://recantodasletras.uol.com.br/frases/1995395

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Haicai 210




Haicai 210

Belém garbosa
Antiga tradicional
Cidade que abraça.


# Imagem Obtida na Internet. Palácio Lauro Sodré.

Haicai 209




Haicai 209

Carimbó, Síria
Círio festa tradição
Alegria do povo.

# Imagem obtida na Internet. Trata-se de dois modelos paraenses no Desfile Amazônia Fashion week de 2009. Eles entraram na Passarela dançando Carimbó. lindos.

Haicai 208




Haicai 208

Açaí com tapioca
Camarão, peixe, aviú.
Peculiaridades


# Imagem do " Açaí e Tapioca" obtidas através da Internet.

Haicai 207



Haicai 207

Belém do exotismo
Sabores fortes, ardentes
Tacacá e pimenta.


# Imagem do Tacacá obtida na Internet.

Haicai 206




Haicai 206

Morena cidade
Belém das chuvas da tarde.
Clima acalorado.


# Imagem obtida na Internet.

Haicai 205



Haicai 205

Repleta de verdes
De frutos, cheiros e cores
Túnel de mangueiras.


# Imagem da Internet.

Haicai 204




Haicai 204

Correm rios, deságuam
Na profundeza dos mares
Mistura das águas.

Efeito(s) de uma mulher madura (E C)



Efeito(s) de uma mulher madura (E C)

Aquele olhar fora pro-vo-ca-dor.
Provocara uma revolução. No estômago,nas pernas,nas glândulas sudoríparas.
Que olhar fora aquele.
Midriático. Desconcertante. Invasor.
Devastador. Daquela noite em diante, atormentava e afligia. Aflição era pouco.Era pensar e taquicardia chegar.
Todas as vezes que ela cruzava o corredor rumo ao elevador, como que por mistério ele se sentia impulsionado a abrir a porta, tirar o lixo, sacudir o tapete, levantava de soslaio os olhos e lá estava ela cravando olhar,investigando, penetrando através do frágil garoto. Ao fechar a porta o caminho certo era o banheiro ( ) e um descontrole intestinal se abatia. Suava tanto que precisava tomar banho e ainda assim continuava destilando suas sensações, um misto de medo e desejo...
Na escola já não conseguia se concentrar. Se fechasse os olhos eram os negros dela que enxergava o fitando, inquirindo, averiguando talvez seus pelos rarefeitos, aquele monte de acne que tornava seu rosto um pouco pior, a sua notável magreza, o cabelo despenteado, os óculos cujas lentes eram de visível densidade, os dentes em franca correção ortodôntica. Tudo que o fazia sentir um relés garoto saindo( entrando) na puberdade.
Nas férias, os encontros pelo corredor acirraram, e foi inevitável tomarem juntos o elevador, sozinhos, para azar (sorte) dele.
Uma mulher madura, segura e dominadora sabe mesmo o que quer. Não perde oportunidades, caça. Fuzila com o olhar, algema mãos com o corpo, imobiliza lábios com a boca. E na seqüência: e-xe-cu-ta.
Fiel e letalmente.
De sorte que o elevador parou e apagou, e o guri ( ) calou.
Rolou.
Deram-se bem, muito bem. O que foi iniciação virou rotina. Temperou. Acirrou. Viciou.
Sabem qual o efeito maior dessa história?
Pois é. O vizinho dançou. A gostosa (displicente e/ou propositadamente) engravidou. E o guri?
Literalmente se ferrou.
Pois é, só sei que foi assim, cadeia de efeitos,
Tudo efeito de um olhar, certo olhar...
Seria efeito ou reação?
Adverso ou Colateral?
???????

*****

Este texto faz parte do Exercício Criativo - Efeitos Colaterais.
Saiba mais, conheça os outros textos: http://encantodasletras.50webs.com/colaterais.htm

sábado, 16 de janeiro de 2010

Indícios de solidão




Indícios de Solidão...

Caixas, potes, vidros. Separar solidão por solidão.
Recentes para um lado, antigas para outro, reincidentes na gaveta mais antiga.
Cada dia no seu canto, cada período no seu vago,
Cada hora separada conforme a dor.

Silêncios: interiores numa gaveta, exteriores noutra.
Selecionar: motivos aparentes dos não aparentes.
Cada ferida com sua razão. Cada agrura com seu motivo.
Dividir: Fracionar, isolando cada coleção de tristeza.

Ensacar por cores: o cinza do triste, o opaco da agonia,
Separar o turvo da ausência do gris da saudade.
Ah, a saudade, coleção que carece cada dia de mais espaço, cresce assustadoramente...

Para não se perder: Separar as dores das cores, as dores por cores.
Arranjar tudo cuidadosamente dentro do inexistir.
Aquietar: Acomodar nacos de sentimentos, agasalhar pedaços de ilusões,
Frações restadas num canto qualquer da velha memória.

Tirar o pó, alimentar com tênues fios de esperanças cada vazio fecundo.
Aprisionar: Render fagulhas de alegrias em cofres blindados de expectativas.
Viver no sótão entre avolumados guardados do tempo.
Viver meio ao que resta de si.

Embrulhar sorrisos para entrega em ínfimas porções.
Lacrar com sal, marca registrada em tantos cantos. Esquinas.
Oco acalentar. Ocultar-se da própria existência.
Preencher lacunas para entender-se aqui.

Saber-se esmiuçando o viver.
Compreender o que resta latente.
Viver...

Intíma Devoção




Íntima devoção

Devoto a ti a intenção do doce e terno olhar.
Porque espero ansiosa pelo teu desvendar.
Que venhas e descubras e me cubra de beijos,
Que rompa intenções e desate os nós dos desejos.
Devoto a ti a intenção do meu perfeito delirar.


Pois que chegues tão logo, e tão logo me queiras
E que assim me querendo, ultrapasse barreiras
Quando então me tiver me tenha toda por completo.
Que chegue intenso e pleno, e de amor repleto.
Pois então que não demore e para mim faça festa.


Devoto a ti o desejar da boca, da seca boca...
Pois que a pele ferve ao imaginar tua entrega
Ávida, anseio me socorrer no teu olente cheiro.
E quando então chegar me tome sem qualquer regra
Devoto a ti meu querer completo, meu querer inteiro.


Consagro a ti, somente a ti todo o meu premente amar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Abraçar



Abraçar

Afagar, acarinhar
Acender, aquecer
Avidez.


Roseane Ferreira

# Imagem obtida na Internet.

Do imaginar......



Do imaginar (...)

Delirante
Suspeita sensação
Teus lábios febris.

Roseane Ferreira

Abraços



Abraços

Entrelaçar de corpos
Abrigar mútuo
Estreitar sentimentos.

Roseane Ferreira

Teu cheiro....




Teu cheiro...

Acende pensamento
Faísca, fagulha
Detona desejo.

# Imagem obtida na Internet.

(...) Perdição




(...) Perdição

Sem chaves
Senhas
Segredo do teu abraço.


#Imagem obtida na Internet.

Tua boca (...)




Tua boca (...)

Adorno
Atrativo
Afasta juízo.

#Imagem obtida na internet.

Escrita de solidão




Escrita de solidão

Viajo embriagada no mundo inerte da poesia,
Para que não me perca em promessas que sequer tu me fizeste,
Para que eu não sucumba, no atroz de um sonho, negra fantasia.

Viajo entontecida no aleatório das letras,
No vazio interposto entre o verve e as palavras emudecidas pelo teu calar.
Vou, para em ti não ficar. Para de ti depressa, dissipar.

Embarco delirante no lascivo que permeia os versos,
Na provocação ambígua das rimas,
Para que teu ar se aparte do meu suspirar.

Desato-me entorpecida do aprisionar do sentimento,
A fim de que de mim se aparte o expectar, e se decante da Íris o desencontrar.
Desfaço-me, para que o querer não exacerbe, não extrapole o teu delimitar.


Vou, deserta do teu pensar caminho trôpega no infindo compor, busco de mim afastar a dor.
Vou perdida meio as intempéries da criação, lacunas deixadas por ti, fragmentos.
Fonemas que de ti se ausentam.


Vou, escrita sorte de não saber teu vívido sabor,
Vou... vocábulos bêbados de silêncio. Silentes sem tua voz.
Vou, atrevo-me a aportar articulando imperecíveis verbos de solidão.



Essa é a minha escrita para ti.
Impressa de afeto,
Afeita de tons de saudades...
Perene saudade...

As cores do olhar de Rosa- Pequeno conto




As cores do olhar de Rosa

Há uma linha de contorno cinza que segue infinita brotando do olhar de agruras e sem tradução da Rosa. Há também um fim de tarde no qual ela se debruça diante da própria visão, que entremeia tons de saudade e solidão. Tudo aportado num náufrago coração. Fundeado nas amarguras,ancorado na clausura.
Há palavras que as letras não escrevem que teimam em ficar atadas em nós na garganta que ninguém nunca vai saber. Ninguém precisa saber. É o próprio túmulo.
Rosa. O enxergar de um sonho que se desfez.
É fácil contar quando se vivencia a dor dos outros, difícil, quase impossível quando a dor é nossa, latente e sem fim. Uma ferida, um sangrar constante como salgar as chagas abertas, apimentar, aguçar uma dor irreparável.
Rosa. Um barco, uma urgência, um rio gigante em águas e mistérios, quase um mar entre ela e a salvação da pequena Flor. A salvação do mar. O mar sem amarras. Era um vômito atrás do outro, ardendo em febre, justo naquele dia que era dezembro, e as chuvas chegavam sem avisos e junto vinha um vento daqueles. O Zé não estava, tinha ido na roça, ver a plantação de mandioca e a Rosa, danada de corajosa pegou as duas meninas Rita e Rosalba, mais a pequena Flor, botou no barco, ajeitou direitinho as crianças a Flor no colo da Rita e acionou o motor. E lá se foram no meio do aguaceiro. Rosa. Uma viagem sem fim. Um rio para atravessar. Uma distração, o vômito da Flor, a febre queimando, a Rita agoniada, o vento, a chuva, o barquinho jogando, a chuva e o vento, a água entrando, Rita agachada tentando secar o fundo, Rosalba chorando. O vento e a chuva. O descontrole. O cinza.Vermelho. O acidente.
A Rosa tentou, mas não conseguiu. Rosalba botou o cabelo no motor. Como tantas nesse mundo de águas, mais uma escalpelada. Rosa. O desespero. As meninas. O sangue. A dor. O salvamento foi a tempo de não perder a vida, a Rosalba, o couro cabeludo arrancado o Rosto deformado. Viva. A Flor, a pequena e frágil Flor sem vaga na UTI da Santa Casa não resistiu. O Zé não se conformou, culpou a Rosa, arrumou as coisas e foi embora.
Lá na beira do Rio ficou enterrada a Florzinha, Rosalba vive no hospital, demora a recuperação, a Rita ta nervosa e perdeu o ano na escola. Mas é ela quem ajuda a Rosa que restou sozinha, que entristeceu e a luz do dia não vê mais.
A Rosa. Passa os dias de olhar perdido, como se visse um algo que não se pode entender. Os médicos da cidade já disseram que é uma cegueira irreversível, mas não conseguem dar conta da razão. Dizem que as dores seguidas roubaram a luz, a cor, para deixar completa de solidão a Rosa.
Não ver e morrer um pouco, não enxergar a falta do Zé, o negro do olhinho da Flor, o sorrir alegre e farto de Rosalba. Um único escutar, o ruído das águas. Apagar a saudade da retina. Inexistir. Um viver no vazio. No amplo da desesperança. No faltar sentido transcrito na ausência de tons, texturas, formas e brilhos. Ausente de existir. Viver negrume.

CEGOS: somos todos nós, quando a nossa dor fecha-se em si e o nosso coração não se abranda ante a irrecuperável dor dos olhos alheios. Esse retrato em tons esmaecidos vivo apenas pelo vermelho do sangue e diluído no sal dos nossos olhos é real aqui nesse mundo de volumosas águas.

Escalpelamento é um acidente bastante comum entre as mulheres ribeirinhas da região Amazônica.


Adendo:
Escalpelamento é o arrancamento brusco e acidental do escalpo humano, de diversas formas, inclusive por motores dos barcos.
É um problema muito recorrente na Amazônia brasileira, despertando até a atuação do poder público e de ONGs, que estão com projetos para desenvolver uma proteção barata ou gratuita para os barcos a motor, a fim de evitar a repetição de acidentes desse tipo.
O acidente ocorre quando as vítimas, ao se aproximarem do motor por acaso, tem seus cabelos repentinamente puxados pelo eixo. A forte rotação ininterrupta do motor ao enrolar os cabelos em torno do eixo, arranca inexoravelmente todo ou parte do escalpo da vítima, inclusive orelhas, sobrancelhas e por vezes uma enorme parte da pele do rosto e pescoço, levando a deformações graves e até a morte.
Informações adicionais obtidas através da Internet.

Texto inspirado no Romance do excepcional escritor Daniel Leite, intitulado “GIRÂNDOLAS”.

#Imagem capturada na Internet.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Homenagem a Belém -394 anos




Afinal Belém rima com que? ¿? (Refere ao lado bom e humano de Belém)

Rima com verde, que rima com natureza, que rima com beleza.
Belém rima com alegria, rima com alegoria, rima com festa noite e dia.
Rima com coisa a beça, rima com fé, emoção, rima com Círio, promessa.
Rima com Ver- o -Peso, com cheiro cheiroso rima, com povo caloroso, com açaí do grosso, gostoso.
Belém rima com Rios, com praia de água doce, Casarios, Pororoca e desafio.
Rima com Tapioquinha, com Mururé com Tainha, rima com macaxeira e café.
Rima com Estação, Ver-o-Rio, com hospitalidade, rima com calor e chuva da tarde.
Com Nilson Chaves rima Verequete e Arraial, Rima com Pinduca, rima com o exotismo das frutas.
Rima com Carimbó, Síriá, Ajuruteua, Combu, rima com Marajó, Pimenta - de- Cheiro e Jambu...
Belém rima com Catedral, Bar do Parque, Algodoal, da Paz, rima com República, Mangal.
Rima com Tacacá, Tucumã Taperebá, Muiraquitã, Muruci, Cupuaçu, rima com Bacuri.
Rima com tia cheirosa, Largo da Palmeira, Maniçoba, rima com Praça da Sereia.
Icoraci, Guamá, Juruti, Guajará, Piracuí...

Belém rima com tanto, com Ópera, com canto, com Aviú, pupunha, picolé da Cairu.
Rima com pele morena, com transladação, novena, com Remo e Paysandu.
Rima com muito abraço, afeto e bastante suor, com crenças lendas, cultura, Belém rima com Cidade Velha, com Nazaré e Gentil. Rima com liberdade que vai além de seus Rios.
Belém rima com acolher, receber dar guarida, rima com despedida com emoção rima sim, Belém rima com meu coração.

Rima com Goeldi, Waldemar, com braços de rios, com mar, rima com Rodrigues Alves, Rima com Capoeira, com Ruy Barata, Paulo André, rima com Walter Bandeira.
Rima com Leila Pinheiro, com Jane e com Fafá, Rima com cheiro da Phebo, Com Orion, Guaraná.
É rima que não se acaba infinita como as águas, de Belém o circundar.
Belém rima com navegar, com esperança, vontade, rima com o anseio de poder sempre rimar.
Rima com Trovadores, Com Auto do Círio rima, Rima com Pavulagem, Andores, rima com Boi, Peixe-Boi. Rima com tantos sabores.
Rima com meu gostar...
Rima com minhas sementes,
Rima com meu lugar,
Meus afetos,
Tanta gente...
Posso até ir, demorar...
Mas quero poder sempre voltar...



Republicado em vista da homenagem a Belém, minha cidade Natal que hoje completa 394 anos. Linda, hospitaleira, mas muito pouco bem cuidada. População e governantes deixando a desejar. Acúmulo de lixo, acréscimo da violência, abandono excessivo de pessoas que se tornam moradores de ruas, doentes mentais sem atendimentos, saúde em geral precária, tudo isso e muito mais na contramão do belo, da poesia que há em Belém. Mas reafirmo ser um povo hospitaleiro, caloroso e bom.Não poderia deixar de reafirmar também minha ternura por essa que é a minha terra.Parabéns a Belém e seu povo!

# Imagem de Belém ( Complexo Feliz Lusitânia) obtidas na Internet.

Poetrix ( conto ) VI




Poetrix ( conto ) VI

Insegurança
Na SELVA de Craque
Joãos e Marias...


# Imagem da Internet.

Poetrix( conto) V



Poetrix( conto) V

Violência
Famigerado SOPRO
LOBO das Favelas.


# Imagem obtida na Internet.

Poetrix ( conto) IV



Poetrix ( conto) IV

Mundo real
CIGARRAS e formigas
Papéis necessários...


#Imagem obtida na Internet.

Poetrix (conto) III


Poetrix (conto) III

Sapo e princesa
Busca incessante
BEIJO transformador...

# Imagem obtida na Internet.

Poetrix ( conto) II


Poetrix ( conto) II

Cárcere da solidão
Habita em mim Rapunzel
Joga ao mundo TRANÇAS de ilusão.

# Imagem obida na Internet.

Poetrix(conto) I


Poetrix(conto) I

Contar e contar
Realidades
XERAZADES, todas nós...

Haicai(conto) IV




Haicai(conto) IV

Belas, brancas e negras.
Princesas são todas elas
Buscando respeito.

#Imagem obtida na Internet.

Dezembro vindo.....

Daisypath Anniversary tickers
Monarch Butterfly 2

Escrevo para.........

Quando escrevo exorcizo fantasmas, é meio abstração e também minha realidade se despindo.Sou eu me confessando a mi mesma.

Um Poetrix ...verdinho......


Escrevo para....

Escrevo para por no mundo pequenas ânsias, escrevo para aportar desejos aflitos, escrevo para me salvar, é como Jogar as âncoras, o barco ora vai ao sabor das ondas, ora é a deriva....
Escrevo para acariciar as suas almas,e ser tocada por seus olhos impressos de brilho!
escrevo para Gozar,Flutuar, ser e merecer, Escrevo para seus delírios, seu deliciar!
Escrevo para vocês,
Agradeço seus olhos em mim, na minha ruptura poética!
Escrevo!

Muito grata por me sorverem as letras!
A todos que aqui passarem seus olhos, mentes e corações!
Rose

Sobrepondo Sonhos.....