Marcadores

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O anelo do tempo...




O anelo do tempo...

Há ocasiões em que as letras incompatibilizam com o pensar.
Versos destoam do poetar.
Poemas divergem do rimar. Inspiração diferindo do criar.
Fica tudo assim: de ponta a cabeça, ao avesso o idealizar.
Há momentos em que o sentimento teima em machucar.
Que a dor vem avulsa, inversa do desejar.
Que as lágrimas lavam com sal à vontade
Cujo único rimar é a saudade.

Há tempos em que nada acolhe, agasalha.
E o sentir é silente.
E de frio cobre-se, tiritando pelo afeto ausente,
E a alma mendiga um quinhão que seja do teu olhar.
Porque é dessas míseras migalhas o seu único alimentar.


Tem tempo em que o próprio tempo de si quer se ausentar.
Tempo no qual o coração é um poço sem fundo,
Um mar que em si quer naufragar.
Tempo cujo anelo é da saudade o apartar.

Quisera eu um coração de marinheiro...




Quisera eu um coração de marinheiro...

Arrisco um louco pensar. Ainda que fugaz. Um desejar.
Quiçá um revelar.
Segredar talvez...
Queria ter um coração de marinheiro. Poder ir e voltar.
Partir e chegar. Aportar.Ancorar.
Depois içar velas, novos mares singrar,
Alçar outros horizontes, solta, leve, flutuar.
Amores leves e breves, volúveis e solúveis, amores de só navegar.
Paixões distribuídas tanto quanto o aportar.
Recolhidas na hora de zarpar, ou soltas, postas ao mar.
Quereres que fizessem sorrir, nunca chorar,
Plenos sem lamentar, amores de libertar.
Isento transitar, infinito é só mar, Ondas e ondular.

Ah... Quisera um amor assim sentido, ao sol um desejar,
Na noite ao luar um entregar.
Intenso e infindo de delicado cumular.
Que a tantos e a muitos pode ao mesmo tempo se dar,
Afeição de maresia viva ao sabor das marés, encher, vazar,
Subir, secar, pleno de viajar.
Encontros com cheiros das águas, vestígios de vento e de sol, enleio de balançar.
Seria esse o deleitoso desvario do meu sonhar.

Diferente e comovente.
Livre, do sofrer e solidão ausentes.
Repentino e envolvente,
A se repetir sempre, brevemente...
Nunca em um só lugar presente....


Das inconcebíveis saudades,
Do calor vindo de um novo encontrar.
Novidade do lugar, dos ares e dos mares,
Do permitido novo chegar,
Diverso novo enveredar.
Distinto ao se dar.

Ah, quisera ou quem dera um assim amar
Quem dera um coração de marinheiro,
Quisera como ele se portar,
Nunca uno, de alguém inteiro,
Sempre partilhando, partilhado, verdadeiro,
Livre,
Amor sem machucar...
Intenso por não perdurar....


Somente amar...

Estão lá.... ( no mesmo lugar)




Estão lá.... ( no mesmo lugar)

No lugar,
No mesmo, exato lugar.
Lá está cada objeto.
Mesa sempre posta,
Cama arranjada,
Fotos nos porta-retratos,
Pó sempre retirado,
As flores do vaso, trocadas...
O jarro com água fresca,
Café passado, fumegando,
A porta,
Sempre, encostada,
Nem precisa bater,
Basta um leve empurrar,
Tudo continua igual,
Como antes,
Como sempre fora,
Nada,
Nada mudou...


Sabe,
É assim com os sentimentos,
Que se sedimentam,
Não mudam a cada pôr-do-sol,
Lá permanecem,
Guardados,
Acalantados,
Cuidados,
Não mudam assim,
Quais folhas ao vento,
São doces sentimentos,
Verdadeiros, inteiros,
Por isso continuam,
Existem,
Não se desfazem assim,
Ou se destituem,
Não mudam ao nosso querer,
A nossa simples vontade,
Porque são donos, do próprio existir.


Como os objetos,
Lá continuam,
Como tudo,
Continuam no mesmo, exato lugar.

Não preciso pedir que acredite,
Basta que aguces o olhar...

sábado, 26 de setembro de 2009

Rimar em demasia _ POETRIX





Rimar em demasia

Dormir e acordar
Rimando poesia
Real e sonho juntar.

Fazer Poesia _ POETRIX




Fazer Poesia

Mínima_mente.
Mínima_lista
Enorme_mente.

Poética implícita - POETRIX




Poética implícita

Poética_mente
Poesia viva
Versátil_mente.

Metrificar - POETRIX




Metrificar

Contando sonhos
Deságuam idéias
Ma_temática_mente.

Versos emanam- POETRIX





Versos emanam

Ecoam em desertos
Acorrem diversos
Des_encantam.

Rimas fluidas- POETRIX




Rimas fluidas

Feixes de luz
Poemas em mim
Di_versificam.

Quem mexeu no meu coraçãozinho?




Quem mexeu no meu coraçãozinho?

Quem mexeu no meu coraçãozinho
Mudou, tirou ele de lugar.
Botou ele em um barquinho
E agora? Ele não quer voltar...


No meu sentir quem mexeu?
Quem trocou o sorriso largo?
Era alegre agora entristeceu
Na tristeza vou dar um embargo...


Quem anda mexendo comigo?
Roubando o meu suspirar
Quem no meu peito pede abrigo
Não sei será que devo deixar entrar?

Mechem em tudo que é meu
No querer na alma na paz
O pior comigo já se sucedeu
O inquietar que esse sentir trás!

Peço aqui, estou ciente.
Deixem em paz meu querer bem
Deixem que eu viva o presente
Sem querer ir mais além!

Permitam que eu guie meus rumos
Deixem que eu vá comandando
Meu coração, alma, meus prumos!
Da paixão quero ir esquivando!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Só pela tua existência...




Só pela tua existência...

Só porque existes.
É que me refaço do cansar diário.
E que encontros razão para te fazer sorrir
E ao teu riso me alegrar.
Faço-me feliz, e já não mais triste,
Pois que acordas com liras o meu melhor,
Fazes-me bem, e ao meu imaginar.

Porque és tu.
Faço-me para ti, transposta em poemas,
Transcrita em versos e prosas.
Sou em cores que se revigoram ao teu pensar...
Sou luzes que fulguram ao teu existir,

Apenas porque tu és.
Ouso dizer que acaloras o meu poético retrucar
Aglutino teus olhos ao inspirar,
E já me atrevo a acreditar,
Empreendendo contigo sonhar...


Unicamente pela tua existência.
Recolho flores verbalizadas
Aspergindo a alma de rimados cantos
Ondulo ao léu sob a face do encanto que de ti vem.


Já não sou pobre vagante,
Faço-me maga e delirante,
Dona dos versos que teus são, serão...
Dono tu és do compor que flui do meu coração.

Tudo,
Absurdo absoluto,
Pois que tudo é assim
Porque tu existes, e és tu, verdadeiramente em mim.

A pressa dos encontros...




A pressa dos encontros...

Continuo achando, com raras ressalvas que o entendimento entre homens e mulheres é lento, e por vezes trava. Eternas divergências. Avançou,mas há ressalvas. Não é um discurso feminista, até porque não partilho de radicalismos. É apenas um adendo aos conceitos que permeiam nossos dias e interferem no conviver.
Também não sou crente que relações feitas na famosa rede mundial são coroadas de êxito. Sei que não, mas tenho pelo menos duas amigas que vivem casamentos bacanas com seus companheiros encontrados na net (ressalvo serem Europeus). Logo acho que com cuidado segurança vale tentar.
Recentemente uma amiga (mais uma) revelou-me outra tentativa abortada de conhecer certo rapaz. Achavam-se trocando mensagens e MSN, ele muito aflito por um encontro, ela em tempos de crise e recessão, tentando se dar uma chance. (sou testemunha, bem que ela tenta). No espírito de quebrar aquela curiosidade e a ansiedade do insuspeito cavalheiro sugeriu um café, num lugar bacana da cidade. Ele retrucou com compromissos. Tudo bem até então. Em outra hora no fim de uma textual conversa ele revelou que estava “louco” para encontrá-la e queria que fosse de noite. No ensejo ela informa ao cidadão que prefere as tardes, ou almoços para esse começo de entendimento. Foi como se pisasse numa ferida do rapaz. Para encurtar ele meio que grosseiramente a despachou de uma vez. Foi-se por águas a baixo o interesse.
Não sei quem perdeu. Talvez o cidadão “dito adulto” e sem paciência querendo chegar logo às vias de fato. A calma pode ser uma boa estratégia de conquista, em alguns casos. A moça do meu assunto é interessante, entre muitos atributos.
Ficou um que de imaturidade no ar. Tantas muitas outras centenas de mulheres quer mais maduras ou não se debatem com essas cabeças que parecem no lugar de neurônios habitar certo líquido pronto a desaguar.
Não pensam no conhecimento. Não pesam as possibilidades inúmeras que podem se apresentar. Conhecer, trocar idéias. Dormem, pensam, comem, respiram sexo. Parece que esse é o gás que os movimenta. Guiados por isso.Como um rol de amigas, conhecidas, nenhuma de nós precisa passar por isso. Tentar é preciso, mas somos muito mais que essas abordagens rasteiras. É só no tentar que paira a possibilidade do encontrar, acertar, só assim alguma novidade (boa) pode vir, mas até ai tudo bem, não quer dizer submeter-se a relações ou supostas relações insipientes ou mesmo proibidas ou proibitivas na falta de. Somos mais que isso, pensamos, nos cuidamos, trabalhamos e nos devemos boas e saudáveis relações. Histórias bacanas que sim, são possíveis.
Serve para homens e mulheres: Nunca nos obrigar a nada. A cama que não queremos, a boca que não desejamos, a encontros que não nos deixam confortáveis.
Serve também, em especial as mulheres, não receber migalhas, aviltar-se por um mísero pouco de companhia. Ninguém precisa disso. Passar por isso.
E viva o pensar saudável, com a mente, o cérebro mesmo!
Para as avulsas, disponíveis, seja lá como chamam, mister é não perder a dignidade.
Aos solteiros de plantão, mesmo os ditos maduros, não se achem a solução. Suas solteirices podem ser recusadas. Aconselho acharem mais um pouco de criatividade, inteligência, estratégia de conquista e abordagem, muito humor, tranqüilidade, respeito e depois sim.... Aos encontros que certamente terão sucesso.

Quem mexeu... ( no meu quintal e em mim...) (EC)





Quem mexeu... ( no meu quintal e em mim...) (EC)




Por um acaso, muito assim por um acaso você aí que me lê agorinha, sabe me dizer quem ousou mexer nas minhas árvores???? Alguém sabe?? Por favor, me informem!

Elas sumiram muitas, milhares todo santo dia quando acordo olho lá no meu quintal (não tão pequeno) e sempre tem menos algumas. Quem será???
Serão os mesmos que roubam a pureza do meu ar, que inflamam com tanta fumaça meus olhos, meu pulmão, meu coração...
Custo a crer que sejam...
Serão??
E nos meus rios, quem anda insistentemente mexendo, sujando, agredindo minhas espécies, poluindo, pescando clandestinamente, levando para outras paragens toda a diversidade, escurecendo entristecendo minhas águas, quem será este impiedoso ser????

Sabe, ando mesmo invadida, aviltada, tamanha as agressões que sofro, imagina você, esses mesmos que remexem em tudo que é meu deliberadamente, não satisfeitos, queimam-me, destroem a minha riqueza, meu manancial curativo, tudo para engordar seu furados bolsos e seu gados (ou vice-versa), quando não para trocar minha riqueza natural por tal cultura do agro negócio, agro tecnologia que me atinge, me acaba dia após dia...
Estou ficando deserta...
Ando tão cansada, magra e abatida, seca sem cor. Tenho saudade de mim, do meu verdejante ar. Do quanto já fui encantadora e encantada.
Francamente não sei, penso que se não puserem freios nesses que bolem tanto comigo com a minha vivacidade e dignidade confesso que em breve serei apenas uma foto, um filme, um pedacinho qualquer de mim empalhado que me represente como tantos dos meus que já são. Talvez nem nas suas memórias eu fique. As futuras novas gerações de mim quiçá ouçam falar e não tenham noção de quem fui... Como eu era bela e como era rico o meu quintal...
Engraçado é que esses que mexem o tempo todo comigo, nos meus pertences, nas minhas árvores, nas minhas águas (que são tão minhas quanto suas e deles) não sabem ou parecem não saber ignorar que sem mim eles sim podem não sobreviver por muito.
Ah, são uns tontos...
Agora eu digo, espero e muito que alguns tantos que vão se encontrar para falar de como me preservar decidam o melhor e façam aquilo que o que for mais justo e razoável para o nosso bem. Eu agradeço. Penhoradamente.
To aqui indagando, meio que pedindo socorro. Querendo me fazer entender.
Quem mexe em mim, comigo, mexe na sua própria existência.


*****
Este texto faz parte do Exercício Criativo - Quem Mexeu no Meu...
Saiba mais, conheça os outros textos: http://encantodasletras.50webs.com/quem_mexeu.htm

As cartas nunca lidas....



As cartas nunca lidas

Lá na Rua das Flores na casa 12 o jardim lateral era de um viço só. Poucas vezes passava-se ali sem direcionar um olhar que fosse. Praticamente impossível. Haviam tantas espécies cultivadas que garantiam um florir anual como se quem houvesse planejado tivesse pensado cuidadosamente nas floradas ininterruptas. Era mesmo um encanto aos olhares. A cada temporada mudava de tom, mas sempre havia mudas florindo.
E o aroma? O que era aquilo? Passar, parar um pouquinho, aspirar, garantir um prosseguir com aquele aroma por muito. Por vezes fortemente adocicado noutras mais cítrico, nalgumas discreto amadeirar. Era o jardim mais conhecido da cidade. No entorno alguns prédios modernos, construções arrojadas erguidas. Na redondeza uma clínica que reunia estética, ortomolecular variadas especialidades da medicina moderna, um gigantesco supermercado de rede conhecida e outras arquiteturas que conferiam a Rua 12 algo de extremamente moderno, futurista, quase cibernético/ ficcional. Bem ao meio diferindo absolutamente, a casa do jardim toda florida, no amplo janelão da frente as flores do vaso azul eram trocadas diariamente e cuidadosamente ornadas. Tudo com gosto primoroso. Lá no alpendre a cadeira de balanço era intacta, podia-se ver ao lado
a mesinha colonial, a cesta de vime com novelos de linhas coloridas, alguns desgastados livros, ao entorno telas inacabadas estranhamente compunham em harmonia a cena: Os prédios modernos, a casa 12, o jardim, as flores, tudo parecia enquadrado. Era outra realidade.
Respeitava-se a vontade do morador que não aceitara qualquer proposta de compra. E foram muitas e tentadores. Afinal a cidade expandiu, tornou-se reduto de famílias emergentes, era um belo lugar. André resistiu e lá morou desde que seu pai Carlos partiu muito doente. Seu trabalho permitiu que fosse transferido, construiu uma clínica de recuperação de drogados nas proximidades e exercia sua profissão de médico renomado na área de psiquiatria. De lá não quisera mudar. Aos 50 anos separou-se, os filhos foram estudar fora, mas ele ficara. Algo o prendia a casa 12.
Seu avô pouco antes da morte revelara que seu tataravô Pedro, comprara aquela casa tão logo retornara a cidade vindo de longo tratamento de saúde e já aos 90 anos soube que a moradora anterior lá tinha vivido até bem pouco, falecera devido as doenças agravadas e muito abalado ficou ao saber que ela se chamava Claraluna que vivera solitária na casa 12 por um ano e meio quando foi encontrada na cadeira de balanço por um vizinho com um pequeno bilhete preso as mãos cujo destinatário não era mencionado, mas Pedro soube e nem precisaria por isso envolveu-se na compra adquiriu o imóvel lá ficou até a partida.
André herdou do pai o bilhete que avalia como prova de um amor inabalável que resistiu através dos tempos. Clara ao falecer tinha 81 anos, exatamente 70 anos a separavam do ano em que conhecera Pedro. A opção de manter a casa do jeito que sempre fora atravessando séculos era para André a forma que encontrara de preservas os sentimentos por ambos ali vividos e que restavam impressos em cada vão, cada tábua de madeirado chão, cada antigo sofá cada tela na parede. Fora em épocas distintas, mas de intensidade muito igual. Lá houveram pensamentos impregnados de amor. Sonhos foram escritos construídos e desconstruidos. Feitos e desfeitos. Dores indescritíveis sentidas. Mas nunca o desistir do amar.
Depois de Clara era Pedro quem se punha na janela, quem transitava com toda a dificuldade pelo jardim. Quem colhia flores e colocava no vaso da janela. Pouquíssimo falava. Silente. Os familiares achavam que falava apenas com o coração. Viveu seus últimos anos lá. No testamento pediu para ser enterrado junto ao corpo de Clara. As famílias acolheram o desejo. Lá fora feita a união impossível em vida. Pediu também pela manutenção da casa 12 e deixou ao filho Carlos também um bilhete. André é hoje o guardião das mais importantes relíquias desta história. Guarda também a casa 12, seu jardim, as telas os livros e toda memória de uma curiosa e impossível história de amor. Repleta de desencontros, mas inteiramente possível no coração na mente de cada um dos enamorados. Porque é o que foram um para o outro apenas, eternos enamorados.
Neste caso o tempo não corrompeu apenas fortaleceu laços invisíveis impressos de ternura, corações que esperam infinitamente. O amor tem disso.


De CLARALUNA:

“Não sei se acaso lerás estas linhas, mas quem as ler estará de certo lendo meu coração. O tempo, esse que tudo apascenta, se aparta para mim, sei, estou à beira do Rio e logo meu barco passará e me conduzirá.
Nada levarei desta vez que não o meu sentir e pensar.
Essa será das viagens a que vou com mais fluidez, não há malas, sacolas, sequer sonhos. Como só o intenso do amar.
Sou feliz aqui, pois vivi os melhores e mais libertos dias sem apartar-me de ti. Não te vi passar infelizmente a minha janela. Quis o destino assim. Mas desde há quase um século transitas na janela dos meus sonhos de infância dos planos secretos da moça que fui e hoje é a melhor imagem que viva em mim está.
Irás comigo e junto o teu olhar, sorriso de menino que conheci. Não sei do homem que te tornaste, nada de ti sei, mas apostei com meu memorar que se passasses na minha janela te reconheceria. Não passaste, portanto não perdi a aposta. A vida conduz as pedras do jogo. Agora sou eu quem tem de ir, mas o que há de ti em mim é o que me resta perfeito o que moveu meus sonhos senis e agora comigo irão.
Não sei se saberás de mim. Mas eu te saberei por toda a eternidade,
Tua,

Clara.”



De PEDRO:
(sem destinatário nominado)


“A um passo do fim dos dias, sinto-me dividido entre o alegre e o triste, a iminência da partida é engraçada, rouba-me a razoabilidade ao mesmo tempo em que confere mais leveza para esses últimos dias aqui. Quis à Clara escrever seria afinal a última das inúmeras cartas que dedilhei sem levar a termo à destinação, o irônico destino me faria mais uma vez não saber onde entregar esta.
Ah esse destino, pregou-me tantas peças, levou minha vida por caminhos inesperados, e sequer pude ver de minha Clara a partida e dela perdi-me em materialidade pelo que se pode chamar de infinitamente. Habituei-me a reserva dos sentimentos e nos últimos tempos optei por não falar, assim preservava comigo aquilo que recuperei de tudo que nem tive.
Na indubitável certeza da partida e na suspeita do não reencontrar resta salvaguardar as memórias, e permanentemente ao teu lado poder estar.
Ressalvo aqui que fui apanhado de surpresa com tua partida, por longo tempo esperei, e a vida urgiu que desse a ela outros rumos, mas te arquivei em definitivo no rol das melhores lembranças e teu esplendoroso sorriso acompanhou-me a cada dia dessa minha passagem. Não houve um só deles que não me flagrasse imaginando teu rosto de menina, com ares juvenis, e confesso também que a moça que não conheci povoou meus sonhos e desejos d a juventude. Foi assim pela vida toda.
De coração revelo ao Carlos, meu filho que mais comigo se assemelha que fui sim um homem feliz, agraciado pela candura da mulher que desposei e pelos maravilhosos filhos que nossa união proporcionou-nos. Mas, incontestavelmente alguns sentimentos só se vive uma vez, e perpetuei o meu sentir por Clara que irá comigo para todo sempre.
Os detalhes do meu sonho restante logo serão sabidos, mas asseguro que é possível e pleno de ser realizado. É só o que o mundo material pode proporcionar a nós dois. No mais nossos corações já nos presentearam com amores inabaláveis. Estes sim nos mantiveram vivos, e foram a razão das nossas melhores alegrias. Ainda que silentes, impossíveis e distantes.
Afetuosamente,

Pedro”

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Inabaláveis sentimentos...




Inabaláveis sentimentos...

Debruçara-se no parapeito da janela. A última vez que fizera aquele gesto era quase uma menina. Inundada de lembranças era como se fosse rumo à porta íngreme que a separava de outro tempo. Aquela fora a cidade do seu habitar e aquelas lembranças que salgavam sua boca e luziam seu olhar haveriam de ter sido as que mais a fizeram saber-se viva. As casas de outrora não haviam dado lugar aos espigões. Parecia incrível mas eram exatamente como antes, só o desgaste oriundo tempo.Intactas,ela quase podia ver-se a caminhar nas velhas calçadas de pedras. Se fechasse os olhos, por um instante o aroma adocicado das flores invadiria o seu rememorar.
Pousou uma das mãos vincadas no rosto apoiando-se no cotovelo de pele fina e avermelhada, arrumou no rosto os óculos de aro desgastado e pesadas lentas, arranjou os ralos cabelos prata. Suspirando penetrou na memória que permanecia inabalada. Intacta.
Quando se fora da pequena vila próxima da orla tivera uma razão, os pais partiram em um naufrágio e os irmãos órfãos foram distribuídos pelas famílias que lá veraneavam. A ela coube uma pequena sacola, um sem número de indagações íntimas, um quase não entender os porquês e a partida para a cidade com D. Goreti.Naquela hora era como se partisse de seu próprios sonhos.
Com os anos passando estudou, aproveitando a imensa generosidade de sua protetora, sem nunca esquecer, no entanto seu lugar e as fantasias de menina que ficaram para trás. A vida a conduziu para outro rumo e achava-se cada dia mais perdida de seu amor de infância. Muitos anos e soube que Pedro casara, tivera filhos e a vida qual rio seguiu seu curso. Sua vez de casar e ter filhos também veio. Foi feliz em família, encaminhou os filhos, mas nunca encaminhara o seu secreto querer. Adiara-se. Quase cancelara seu íntimo segredar.
Havia de saber de Pedro.
Depois da viuvez e muitas negociações recuperara a casa que fora de seus pais. Ela havia sido reformada. Seu primeiro gesto fora restaurá-la de modo a fazê-la qual tinha sido na infância. Com a ajuda de fotografias, pesquisas e bons profissionais a casa 12 da Rua das Flores ficou igual. Perfeita. Tornou-se razão da admiração dos transeuntes, tamanha a beleza do trabalho empreendido, mas fazia gosto olhar as cores e formas originais, as flores no jardim, os graciosos portões de ferro trabalhados, os azulejos coloniais, o brasão da família na parede principal os lampiões ornando a frente e acrescentado todo um romantismo e ao final as flores no jardim, das mesmas espécies florais daquela época.
Ficara linda, permanecera fechada enquanto o jardim era cuidadosamente recomposto. Um zeloso guardião cuidava com acuidade de cada detalhe.
Quase um ano depois e ela lá estava, sozinha levando alguns pertences e suas regressas lembranças. Nenhum morador dos arredores a conhecia ou reconhecia, era tudo muito igual na arquitetura, paisagismo, mas as pessoas muito diferentes.
Ele acaso estaria vivo?
Nada, nada sabia, seus parentes tinham mudado de lá. Era quase impossível, mas não podia recusar um pedido que viera daquele velho e esperançoso coração. Ele a conduzira para lá. E lá pretendia findar seus dias. A doença que lhe fora anunciada era degenerativa e sem volta. Mas se sentia bem. Só em estar de volta renovava algo em seu olhar.Não fazia aquilo por Pedro. Era por ela que tinha suplantado dificuldades, estranhamentos e opiniões que divergiam do seu querer.
Naquela janela diariamente estaria. Lá no alpendre em sua cadeira preguiçosa lia seus velhos livros, tecia suas artes em tricô e crochê, rascunhava as flores do jardim em algumas telas, caminhava na orla ao amanhecer. Ao fim da tarde punha-se na janela.
Seu tempo seria pouco, porém útil e calmo, suas dores de certo amenizariam, as físicas e as emocionais. O mundo lhe seria melhor, agora trocava com ele generosidades. Sua breve vida teria mais sabor, se um dia desses, qualquer dia visse Pedro passando.
Tinha certeza, o reconheceria. Seus olhos jamais se enganariam, sua intuição lhe dizia. E dizia tanto que ali estava ela.
Seria mesmo um intuir?
Ou a voz, a fala da experiência?
Eu aqui de fora, arrisco numa palavrinha pequena, um sentimento agigantado que habita nossos corações e dispensa palavras.

domingo, 20 de setembro de 2009

Cuidar do Jardim - RONDEL




Cuidar do Jardim

Ao caminho flores vão colorindo
Cuidando para espinhos evitar
Diverso é o jardim, olores sentindo.
Das mudas ervas daninhas retirar.


Assim é com afetos, com o amar.
Cultivar e regar, amor viça lindo.
Ao caminho flores vão colorindo
Cuidando para espinhos evitar.



Junto ao florir pássaros vem vindo
Borboletas voejantes a nos encantar
No coração o amor chega surgindo
Há que cuidar, com zelo dedicar.
Ao caminho flores vão colorindo.

Vem........





Vem

Meu coração a ti convidando
Vem, há nele para ti um lugar.
Porta escancarada estou te chamando.


Vem, entra é teu o meu gostar.
Fica, o melhor estou preparando.
Pretendo com esse gostar te alegrar.


Vem não tarda, estou te esperando.


Há muito que anseio por esse encontrar.

Coração que não toma jeito – POESIA





Coração que não toma jeito – POESIA


Coração não compreende
É surdo, cego a razão
Apanha e não aprende
Então chora coração!


Fala que quer tomar jeito
Mudar de vida, ser forte
Mas uma voz aporta o peito
Lá se vai ao sabor da sorte!


Ah coração tem juízo
Vê se aprende a lição
Apaixona-se sem aviso
Vai-se ao flanar da Paixão!



Se ele fosse ajuizado
O Tal sofrer findaria
Como é sempre apaixonado
É flecha sem pontaria!


Tomar jeito, não sou eu
Quem precisa mesmo é ele
Se dói nele, em mim doeu
Pois eu também sou como ele!

sábado, 19 de setembro de 2009

Cosendo da vida pedaços...





Cosendo da vida pedaços...


Tinha mania de colecionar. Guardava tudo. Caixas vazias, ingressos usados, ticket de passagens seja de que transporte fossem, canetas sem tinta, pequenos vidros vazios, aquilo que para a maioria das pessoas parecia estranho, lhe era normal. Uma certa época colecionava conchinhas da praia, noutra sementes que achava diferente, houve um tempo que colecionou pequenos, pequeníssimos pedaços de tecidos que cortava em quadradinhos do mesmo tamanho, de cores e estampas diversas, e punha numa cesta de vime. Fez isso por meses, ao fim de um período alinhavou um ao outro, depois coseu cuidadosamente, passou dias assim, noites enfim. E uma imensa e colorida colcha de retalhos apareceu, que lavou , perfumou com saches embrulhou e deu de presente a uma amiga. O maior prazer estava no juntar, construir pouco a pouco, observar cada peça que integrava o conjunto. Era uma mulher cuja a vida tinha presenteado, mas ela não tinha a capacidade de perceber, divisava muito pouco, via bem, mas não enxergava além do que os olhos vêem.
Passaram-se muitos anos e hoje guarda consigo um rol de fios de prata nos cabelos, na face marcas que denunciam ao espelho: Nada é incólume ao tempo. Talvez sejam as únicas percepções que a levam ao concluir desse transpor, no mais continua coligindo quimeras.
Imagino que viva um construir material, quando na verdade sonha com afetos preenchendo seus armários, amores avultados em gavetas que exalem e derramem ao serem abertas. Cama desfeita com presenças concretas meio aos lençóis, realidade e fantasia.Utopia.
Entende-se com a paciência que assola suas quase descartadas expectativas. Mas não consegue estar bem se não houver algo a que cumular. Em alguns dias na sua assombrosa solidão, espalha todas as suas mil caixinhas por sobre a cama, os conteúdos em muito embolorados, papéis velhos, amarelados, pétalas de flores secas, um infindar de coisinhas aparentemente sem sentido, pequenas miudezas e delicadezas que para ela tem tamanha importância. Dia desses surpreendeu-me saber que anda enfiando um infindar de contas numa fina e delicada linha de seda, arte por demais trabalhosa, que faz com agulha onde fura as contas microscópicas de uma semente bem miudinha num fragilíssimo fio, um trabalho árduo, suas mãos em especial os dedos estão bem machucados, algumas sementes já guardam marcas de sangue, dos furos que por vezes, inumeráveis vezes chegam dolorosamente aos seus dedos. Quase que diariamente compõe o longo torçal,um crescer milimétrico que sequer consegue aparentar algum avanço.Mas percebo que é essa conclusão que se demora, e também a possibilidade do não saber, do perder-se ao caminho, sequer intuir do feito acabado que torna a vida possível.
Faz encontrar um pequeno gosto pelos dias que nascem em meio ao vazio.
Não há fim que seja provável, há uma tênue linha que separa o esperar infindo, de alguma perspectiva de esperança.

E ela segue, cosendo seus dias.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Girassóis interiores





Girassóis interiores

Não os tenho ao alcance da visão, mas insurgem no jardim imaginário do meu ilusório.
Amarelos, degradantemente amarelos, eloquentemente e em quantidades variáveis, nos vasos ou cortados, um delírio visual precioso e necessário para o alegrar. Qual o Sol. Girassóis infligem a regra da delicadeza de um jardim, abundando em tamanho, exuberando na cor, são convidativos, plenos, intensos, chegam a parecer ter sabor. Sabor de tarde ensolarada e ventilada bem na frente da baia do Guajará.

A idéia do artista, a febre que o tomou pouco antes do trágico fim, deixa-nos inúmeras mensagens, aliás, cada obra o retrato de uma fase da vida, mas os Girassóis, que foram pintados no anteceder do agravamento das doenças psíquicas revelam um apelo, uma tentativa talvez de ousar retirar-se da loucura.

Os Girassóis cortados, em número de quatro telas, em especial a tela Os Quatro Girassóis cortados que datam de 1887, ganham mais clareza, quando a obra do artista sai definitivamente dos tons obscuros. E daí para frente predomina cores, em especial o amarelo, que para uns denunciava um mal e/ou uso excessivo de Absinto (Fada Verde) que o fazia ver tudo em amarelo (xantopsia), e para outros uma instantânea intenção de alegrar, de se alegrar, na eminência do agravamento da doença que por ele era completamente conhecida. Da qual tinha consciência. Um rol de prováveis razões.
A chamada época da explosão de cor antecedeu um momento de muita doença, internações e o intensificar do quadro de depressão que culminou com o fim trágico que deu a sua vida. Um tiro no peito e os dois últimos dias agonizando nos braços de Theo (irmão), para quem dirigiu as famosas últimas palavras “A TRISTEZA DURARÁ PARA SEMPRE”.

Entre tantos artistas consagrados, este é um dos que me envolve deveras, cuja história me faz refletir sobre a breve e marcante trajetória na arte e na vida, remetendo ao mais íntimo que posso me observar. O quanto de loucura e lucidez cabe em um ser humano. Como conciliar as exasperações, indignações, decepções, frustrações sem que isso nos cause danos irrecuperáveis, lesando em especial a nossa dignidade e acuidade.
Penso no que conduz a um evento psíquico complexo, em pessoas que antes deram exemplo de lucidez, coerência e mais ainda, pessoas tão imensuravelmente geniais. Inominável saber e agir.
Ouso acreditar que mister se faz ter atenção redobrada as pequenas e sutis mudanças que ocorrem no decorrer da vida, enquanto a consciência nos permite alguma ação para mudá-las. Tomar sempre consciência das limitações, observar mais as pessoas introspectivas, fechadas, que pouco ou nada se expressam tentando achar nelas um veio de expressão, canal de entendimento. A arte é sempre um sinal.

Sou fã da espécie (planta), mas em destaque sou aficionada pelos Girassóis de Van Gogh, não só o belo da obra, arte em si, mas pelo que eles retratam, como se fizeram tão símbolos de uma passagem importante do artista, e mais, tradutores dos sentimentos mais belos que ele vivia como a vontade se ser imensamente feliz.

Nada como retratar o Sol.
O grande símbolo do combate à depressão. O sol, seu alegrar, sua força e energia. O Girassol, a natureza tão perfeita se permitindo imitar, reproduzir... Criou uma Flor que expressa o Sol, seus raios, cores, e ainda o acompanha do nascer ao se por. Isso é belo por demais. Significativo.

Gira que gira a vida. Que girem e luzam os Girassóis.

Essencial, é mesmo ser feliz.


Adendo:

Das Obras:


Dois girassóis cortados (três obras) e Quatro Girassóis cortados, todas de 1887. – quatro obras.

Vasos com Cinco Girassóis, vaso com Quinze Girassóis (três obras), Vaso com Doze Girassóis (a mais conhecida) duas obras e vaso com três Girassóis. (1888 a 1889)

Um total de 11 (onze) trabalhos com o mesmo motivo.


Algumas citações do Artista:


Em cartas para Theo,

“Pinto com prazer de um marselhês comendo uma bouillabaisse, o que não o surpreenderá sabendo que pinto girassóis”...


"Você pode saber que a peônia é de Jeannin, a malva-rosa pertence Quost, mas o girassol é minha de um jeito." Janeiro 1889.


Outras cartas:

“Eu sinto o desejo de renovar a mim mesmo, e para tentar se desculpar pelo fato de que meus quadros são, afinal, quase um grito de angústia, apesar de o girassol rústico que pode simbolizar a gratidão.” Fevereiro 1890.


Outras:

"Após a experiência dos ataques repetidos, convém-me a humildade. Assim pois: paciência. Sofrer sem se queixar é a única lição que se deve aprender nesta vida."


Vincent van Gogh – 1853 a 1890

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Pleno convencimento



Pleno Convencimento


Consciente.
Cônscia.
É assim que estou.
Plenamente convencida.

Só me falta convencer meu coração, de que deve te esquecer.
A minha mente de que precisa não pensar em ti tanto e em profusão.
Os meus olhos de que devem seguir sem a luz dos teus, enxergar outros caminhos, ver outros olhares, brilhar por outras razões...
Falta apenas convencer minha boca de que não terá a tua, não saberá sequer o sabor, não trocará os gostos,
Não se deliciará com teus lábios bem desenhados... Não sentira o quão tenros podem ser.
Meus braços (longos) terão que se convencer que não te agasalharão. Envolverão... qual barco em teu porto atracarão.
Meu corpo não terá o calor e sequer sentirá o peso do teu,
Minha pele não saberá absolutamente da tua tez, do que pode ser macia, firme ou delicada.
Tenho só que convencer as minhas mãos que cegas querem te descobrir desvendar, que não te contornarão...
Meu suor de que não será uno ao teu, aos meus sais que não misturarão aos teus.
Terei só que convencer meus ouvidos, que não delirarão mais com o som da tua voz,
Não mais viajarei aos murmúrios das tuas palavras, sussurros deliciosamente indecentes a invadir, tomando-me em explosão.
Mas fora isso, eu, já estou plenamente convencida.

Só preciso convencer os meus desejos febris de que não terei teu corpo envolto em mim e não saneará minha febre intensa e acalorada,
Minhas vontades confessas de sentir tuas mãos me perscrutando, de me saber plena de ti, do teu amar, isso não se fará real.
Meus quereres de que não realizarei minhas secretas e indizíveis vontades contigo.
Não verei teus olhos nublados a delirar por mim...
Não viverei o êxtase que anseio, de ser plena, por ti.
Só isso me falta. Só.
Only this.

Nada mais, além disso.
No mais,

Eu, já estou plena, completa, inteiramente convencida.

Um jeito PARAUARA de ser...



Um jeito PARAUARA de ser...


Só não nasci em montaria, mas cheguei ao lar pequenininha, cruzando essas baias revoltas, minha mãe me protegia a canoa quase virava não consegui chegar ao porto, encostou-se à praia ao longe. Caia o céu em chuvas, chegava em meio às águas.
Chegava.
Vinha, filha das águas.
Amazonida genuína, clara na cor, de alma morena.
Vim e vivi meio aos afluentes, um Rio Amazonas inteiro cabe no meu prantear.
Brincando na praia só sabia dormir ouvindo os barulhos do mar.
Barulhos esses que interviriam, até hoje pactuam com o meu imaginar. Os ouço sempre, sem precisar na concha por os ouvidos.

Tenho o calor das terras daqui, de afetos sedenta, recrio todas as lendas, já que com elas vivi.
Conheci Matinta-Perêra, dela sempre ouvi o gralhar, ao olhar-me era Mãe D’água no leito do rio, nas florestas estreitava laços com Curupira, Boitatá.
Meus olhos habituaram-se ao verde, do qual era cercada, guardo a vastidão do Mururé e nos cabelos a for da Vitória-Régia.

Enfeitei-me com colares de conchas e bole-bole. Com Tabatinga esculpia os sonhos.

Marajoara ou Parauara?

Ambas afirmo que sou. Do Marajó a cabocla que resta em mim. Do Pará a Índia
desconfiada, crente, cheia de mitos, superstições. Da terra germinada de sementes.

Beber e banhar-me: Açaí, Tucupi, tenho nos olhos a tentação de ver o sol se por na Estação, de Ver-o-Rio, de Ver (da baia) o Peso de ser nascida neste moreno quintal.

Desculpem-me os alvos de pele, mas a morenidade daqui acontece, brilha, luzindo meio ao suor do dançarino de Carimbó. Há que querer enlaçar-se e ao amor do Boto se dar, sob a luz da lua que se espelha no Guamá. Ao som do vento que vem de lá.

Em mim também há um Andor para carregar, um amor intenso pela Mãe a louvar... Samaúma, periquitos, maçã do amor... Revoadas do meu caminhar....

Aqui meus afetos estão impressos, sinto-me mais terra, semente, cheirinho de Priprioca, Patchouli.
Aqui sou mais Murucí do que Flor,
Sou tucumã, tapioca...

Qual Pimenta-de-Cheiro queimo. Qual Manga-Rosa adoço...

Ambas amarelas... Cor da energia do Sol do meu verão, dos Girassóis de Van Gogh que também me alucinam. Mas esta já é uma outra conversa...




Adendo:
MATINTA - PERÊRA - Personagem do lendário popular regional Matinta Perera, Matinta Pereira, MatiTaperê, Mat-Taperê, Matim_Taperê, Titinta-Pereira são algumas formas de grafar este mito como sendo uma velha acompanhada de um pássaro que emite um assobio agudo, à noite, que perturba o sono das pessoas e assusta as crianças, ocasião em que se oferece tabaco o fumo (aparece como promessa principal), mas também pode ser alimento.



MÃE D’ÁGUA - Iara ou Uiara (do tupi 'y-îara "senhora das águas") ou Mãe-d'água, segundo o folclore, é uma sereia. De pele morena clara e cabelos negros, tem olhos verdes e costuma banhar-se nos rios, cantando uma melodia irresistível. Os homens que a vêem não conseguem resistir a seus desejos e pulam nas águas e ela então os leva para o fundo do rio, de onde nunca mais voltam.


BOITATÁ - O Boitatá é uma gigantesca cobra-de-fogo que protege os campos contra aqueles que o incendeiam. Vive nas águas e pode se transformar também numa tora em brasa, queimando aqueles que põem fogo nas matas e florestas.

BOTO - Personagem de grande importância na mitologia amazônica, principalmente no Pará. O boto é tratado como sedutor irresistível.


BOLE- BOLE - Um outro nome dado à semente Olho-de-Boi, geralmente encontrada em matas próximas a praias.


TABATINGA - Espécie de argila encontrada em pântanos. No Marajó achada na beira das praias, serve para moldar.

MURURÉ - Lago na margem direita do Madeira, Rondônia. Planta aquática medicinal.


PARAUARA - designativo gentílico do nascido no Estado do Pará. Mesmo que paraense. Vem do tupi para’wara, que quer dizer: o que nasceu das águas (do rio-mar).

ESTAÇÃO DAS DOCAS - Complexo Turístico gastronômico e Cultural em frente à Baia do Guajará.

VER-O-RIO - Complexo turístico na Orla da Baia do Guajará, uma espécie de Praça Pública.

CARIMBÓ - Tambor de origem africana; Na ilha de Marajó é samba-de-roda com violas e instrumentos de percussão.

PRIPRIOCA - A priprioca ou piripirioca (Cyperus articulatus L.), é uma espécie ciperácea, aromática e medicinal, que ocorre natural na Amazônia. Da mesma família do junco e do papiro, suas raízes exalam uma fragrância incomum, leve, amadeirado e picante. É um dos perfumes mais tradicionais da Região Amazônica.
PATCHOULI - Da família das labiadas. É um arbusto pequeno de folhas carnudas, das quais se extrai um óleo essencial aromático, empregado em perfumaria e tabacaria. Originária da Ásia e da Oceania é cultivada no Brasil. De aroma forte é agressivo para algumas pessoas, mas tem seu aroma considerado por muitos como relaxante. Afasta o mal e o negativo.

TUCUMÃ - (do Tupi tuku'mã): Palmeiras cuja fibra, o tucum, se utiliza para fazer redes de dormir, de pescar e cordas. Dos frutos são feitos óleos comestíveis e deles uma espécie de vinho.



GUAJARÁ - (do Tupi waia'rá): Árvore grande e frondosa, de sombra, cultivada pelos indígenas brasileiros. É freqüente no Pará, em hortas caseiras.

Quando o coração escolhe




Quando o coração escolhe


Quando escolhe o coração
Nada vê, sequer segue a razão.
Não para nem pensa, não tem vaidade...


Um coração pleno de vontade
Deseja ardentemente, de verdade.
Ao pensar, é feito de emoção.



Às vezes se engana um amoroso coração.


Ama, e ao amar erra. Sofre as agruras da Paixão.

Tomar jeito - em Dois atos




Tomar jeito – EM DOIS ATOS.


Tomar jeito...
Esse tal “jeito” é feito de que mesmo?
Toma-se puro ou com gelo?
Pode ser a ceia?
Vende no supermercado?


Tomar jeito. Precisar. Necessitar. Quando. Como. Em qual situação.
A verdade é que:
Nasci capricórnio, terra, pés no chão...
Mas, o coração alado voa, o limite é o infinito. Alma corre atrás do pulsar.
Aparente normal. Apenas aparente. Um consciente irreal.Um acertado errante.
Costurei caminhos meus, fiz troça do tal destino. Não pulei muros, voei. As próprias convenções editei. Do céu ao inferno num escalar de abismos. Diversa em tudo, abusei do descumprir. Naufraguei. Ressurgi.
Queria ser bailarina, psicóloga talvez. Fui gestora, sou do mundo das cifras, mas as letras é meu gozo pleno. Instantâneo. Para viver me expus na vitrine da TV, nas rádios, outro lado do ser.
Tudo entrelaçado, comunicar, qualquer que seja o veículo. Hoje, escrever. Dar vida as letras. Transgredir nas palavras.
Um tanto fluída, sonhadora, ainda que com asas caiadas, um eterno, constante desejar...
Tropeçar a beça, mas e daí?
Sem graça seria só caminhar.
Para que só os pés se o coração pode voar?
Para que?
Tomar jeito então seria:

Um mar sem azular?
Ou um céu pleno de cinzas?
Colher flores desidratadas?
Viver isenta da paixão?

O que seria então?
Acho que não quero tomar esse jeito...
Jeito de que a vida já foi. Jeito de tons pastéis. Jeito de gente séria demais. Jeito de esconder sorriso. Omitir elogios....jeito de sem jeito....
Demasiado entediante.
Peça-me tudo.
Quem sabe eu possa conceder,

Só não quero parar de sonhar...



Preciso tomar jeito – SEGUNDO ATO

Preciso.
Dormir mais.
Organizar o tempo melhor.
Pagar contas. Ser mais pontual.
Comer mais coisas saudáveis.
Exercitar-me mais.
Criar mais. Vive mais.

Preciso.
Amar menos.
Por rédeas aos sonhos.
Limitar desejos
Ser mais normal.
Menos distraída. Mais centrada.
Menos brincalhona. Mais séria.
Menos menina, mais mulher.
Preciso levar mais sério a vida.

Preciso tomar jeito.
Mudar
Melhorar
Crer menos. Desconfiar mais
Entender melhor o jogo.
Aprender a mover as pedras a meu favor.
Seguir regras, não reclamar.
Compreender, maturar.
Discernir, exercitar.
Ser mais forte.
Não hesitar.
Chorar menos.
Emoções racionar.

Preciso tomar jeito.
Aqui é vida real
Preciso sair da tela.
Saltar das páginas dos livros
Despir as vestes do personagem.


Viver, ainda que esse modo seja o caminho que culmina ao breve partir...
O destituir-se dos sonhos...
Desapaixonar da própria vida...




*****
Este texto faz parte do Exercício Criativo - Preciso Tomar Jeito.
Saiba mais, conheça os outros textos: http://encantodasletras.50webs.com/tomar_jeito.htm

sábado, 12 de setembro de 2009

Pensar-te em trovas





Pensar-te em trova

Ao pensar-te bem me fazes
Um presente os dias aclara
Inspiras, alegria trazes.
A ti minha poesia fala!

Buscar-te em trova






Buscar-te em trova


Teus olhos sigo buscando
Tua voz em mim permanece
Segues a mim encantando
Tua presença me enriquece!

Entrego-me - Poetrix




Entrego-me

A prata da lua
Ao douro do Sol
Ao teu seduzir.

Vejo - POETRIX





Vejo

Terra, ao longe.
Sinal de vida.
Esperançar.

Sinto - POETRIX





Sinto

Ondas conduzindo
Qual maresia.
Chego ao teu porto.

Ouço _ Poetrix






Ouço

Ruidosos sonhos
Aportando
Alvoroçados quereres.

Delírio de um olhar...




Delírio de um olhar...


Meus olhos te perscrutaram...
Indagantes, indagadores...
Tentaram atravessar...
Rios que se interpõe entre mim e teu olhar...


Meu olhar quis quebrar correntes,
Destravar as portas que levam a ti
Transpor os domínios velados do teu segredar...

Olhou-se nos teus,
Viu-se em ti...
Agora se acham perdidos no deserto que há nos teus cristais...


Nesta exata hora se cerro os meus são os teus que em mim estão
Com um brilhar quais lagos que refletem o Sol.
Estás irremediavelmente em mim...


Desejos quase incontidos, muitos que nublam olhar...
Como vidrado de febre, delirante, cobiçoso de ti, ávido, avidez...
Ansiando por teu abraçar,
Teu gosto, sabor,
Experimentar...


Preciso esse rio transpor,
Qual afluente em ti desaguar,
E te avolumar, e te derramar,
Navegar em ti... por ti...


Agora sim,
Meus olhos sabem dos teus...

Datas Especialíssimas....




Datas Especialíssimas....

Hoje, 08 de setembro, a Igreja Católica comemora o Natalício de Nossa Senhora, Virgem Maria, a mãe de tantas denominações, aparições, mas a única, a escolhida a Mãe de Jesus. Cheia de Graça. Agraciada. Mulher, ser de história memorável, admirável, exemplo insuspeitável de amor, de fé. Nossa primeira Cristã.
Na terça passada (01 de setembro) comemorou-se o Dia de Santa Maria de Belém, a padroeira da cidade. Pouco menos de um mês falta para a grande comemoração da fé do povo Paraense. O Círio de Nazaré. Maria de Nazaré que muitos crêem ser a padroeira de Belém.
Tantas datas e Marias. Não importa. No concluir é uma só, mas tão ampla, acolhedora, calorosa que estende seus braços por esse mundo afora e abraça a todos nós, independendo de nacionalidade, raça ou credo. Ela nos dá seu colo, ombro de mãe põe suas mãos no nosso coração e nos cuida, a cada um de seus filhos.
Não perco minhas convicções porque recebi ao longo da vida rigorosa orientação religiosa, ressalto que foi demasiado bom, mas, a vida vem me aprimorando e a cada passar de obstáculo, a cada atravessar de tempo ou dificuldade mais tenho certeza dessa condução. Do que me rege os dias quer alegres ou tristes, do que me compreende e não permite que me distancie ademais do que acredito. Jamais conseguiria descrever em palavras a sensação vivida de ser carregada do chão quando num momento dificílimo precisava ir a certo lugar e não sabia exatamente como lá chegaria. Mesmo passado muito tempo a impressão da condução, do quase não pisar o chão permanece, vez que humanamente estava fora do normal, é como se realmente tivesse sido levada, acompanhada, num dos momentos mais difíceis da vida. Só posso ser grata a Deus, em especial pela fé.

Sempre vou em orações a várias Igrejas da minha cidade, mas há uma Imagem de Maria em especial (Nossa Senhora das Mercês) que parece dirigir o olhar para mim. É algo que sinto inexplicável. É como se me olhasse e é um olhar tão piedoso, amoroso, acalentador. De mãe para filha.
Confesso que não há algo que me emocione mais que as coisas, os Mistérios da Fé. E olha que sou emotiva demais. Minha emoção maior deu-se no ato de dar a luz. Talvez quando publicar um livro sinta algo parecido, mas vou às lágrimas exteriores e interiores cada vez que louvo o Espírito Santo, a cada prece a Maria, cada participar da Ceia do Senhor. Toda vez que o Sacerdote eleva A Hóstia Consagrada, todas as vezes que adoro o Santíssimo. Nada, nada revolve tanto a minha emoção, tanto....
Oro para merecer sempre o olhar das Marias que creio, de todas e de cada uma. Do meu Pai, do meu Jesus.
Sinto-me abençoada.
Cada dia.
Todo dia.

Para uma Flor Especial...





Para uma Flor Especial...


Primavera Chegando...
Flores colorem, perfumam o ar...
Os dias têm sua beleza realçada
Setembro traz cheiro de coisas muito boas
Setembro combina com amor,
Coração esperançoso,
Sentimentos avivados, aqui ou em qualquer lugar...


Hoje cinco de setembro dia especial...
Por tantas razões,
Porque é sábado, porque estamos vivos,
Agradecemos ao Sol e as Flores suas belas presenças,
Porque é hoje...
Porque uma flor em especial fica mais viçosa,
Hoje,
Exatamente hoje,
Ela ganha mais luz, cor, perfume...
Hoje é uma flor mais gostosa, mais mulher...
Nasceu na primavera,
Viço de primavera,
Mais sedutora será, com seu olor que aguçará...
Perfuma encanta, faz sonhar a todos nós...
É símbolo do amor...

Que delicada flor é essa??
Hoje ela está mais bela...
É o dia dela...
É ela...
Florzinha,
Flor...
Flor de...
Flor de Laranjeira...

Nossa Flor... Mil beijos por hoje!
Mil aromas,
E sempre nos agrade,
E seja feliz.
E se realce,
Se encante.
Apaixone-se e nos apaixone...
Seja feliz e nos faça assim...
Felizes com sua presença entre nós...
Felicidades...
Na primavera e sempre!


Fiz para a querida Solange Bretas, no seu niver. Nossa Flor de Laranjeira.

O Dia do Engano





O Dia do Engano

Um conto ou um “CAUSO”. Só sei que aconteceu. Juro que não foi comigo embora em comum eu e a minha personagem tenhamos muito em especial a atrapalhação. A capacidade produzir micos que percebam caros leitores, repovoariam a Amazônia garantindo o fim da extinção da espécie.Faço questão de partilhar para que a Plêiade de atravancados e distraídos não se sinta tão só. Confraternizem-se!
Há uma data que deveria ser instituída. Declarada, quem sabe merecesse um feriado até, tamanho o número de acontecimentos e tantos que se sentiriam compensados, reconhecidos, homenageados. Que tal se houvesse o Dia do Engano?

Sabe aqueles erros, mancadas que de tão grandes não mais podem ser considerados equívocos? Deixam a categoria e ingressam com louvor na fila não dos “meros enganos”, mas dos enormes, gigantescos enganos.

Pois é a minha cara personagem quase saída de um livro de piadas, a minha “divertida” personagem acreditou, investiu, planejou, foi lá... E se enganou.
Há meses travava um entendimento profissional telefônico com certo agente que provia a ela algumas soluções meramente burocráticas. Ainda que eventuais os contatos entre a duplinha foram de certo freqüentes, o que conferiu aos dois certa amizade. Como uma desavisada portadora de um coraçãozinho que bate a toa ela começou a vislumbrar.... Será? Quem sabe....

Contato vai contato vem o negócio chegou ao seu final. A moça concluíra o investimento. Feliz e não feliz. Não precisaria mais incomodar o gentil rapaz. Isso a incomodava.Havia de fazer alguma coisa. No dia que obteve o documento que assegurava a conclusão pensou... “vou até ele levar o papel, fazer uma surpresa, sei lá, está pode ser a última oportunidade, depois que desculpa terei para procurá-lo?”

E assim fez, no outro dia acordou, arrumou-se mais ansiosa que qualquer coisa foi pegou o dito Papel e rumou para o local onde o moço trabalhava. Claro, ele não sabia, a espertinha não avisou, fazia parte do mirabolante plano. Ao chegar perguntou a atendente:
_ Gostaria de falar com o senhor José
A moça retrucou:
_ Qual deles?
Havia pelo menos dois....
A espertinha da minha personagem não lembrava o sobrenome, mas mencionou qual assunto (mais ou menos).
A atendente perguntou:
_ Tem hora marcada?
_ Não,......
Desse modo a atendente tirou lá suas conclusões (ELE só recebia com hora marcada), então a encaminhou:
_ Pode subir, a sua esquerda, primeiro andar etc.
Lá foi ela alegre fagueira cheia de pastas na mão. Quem ia saber? Secretas intenções. A encaminharam para uma certa sala de espera e foram chamar o S. José. Entre risos e papéis fingia ler atentamente algo, para parecer normal. Tudo estava indo bem. Lá pelas tantas vem um moço educado, simpático, risonho, cheio de papéis na mão e diz:
_Boa tarde! Você quer falar com o José?
_ Sim, sou Clarabela....
Ele retruca:
_ Eu sou José, mas não é comigo quer falar, eu conheço a pessoa que estou esperando e não é você...
Dito isso, despediu-se e saiu.
Ela sorriu e esperou, pacientemente. Paciência Oriental. Nunca falha.
Algum tempo passou o José errado foi e voltou com seus mil papéis e nada....
Cadê afinal o José certo? O José “dela”?
Eis que chega um rapaz, sério, formal, desajeitado e fala:
_Você quer falar comigo? Me procurando?
Ela:
Sim, sou Clarabela Blá blá blá... Vim te mostrar o documento que peguei hoje, estou com algumas dúvidas...
O moço super sem graça diz:
_ falamos ao telefone (reticente) não foi?
_ sim... ( tentando mostrar-se animada e casual)
Interagiram por alguns minutos numa conversa sem sentido onde ele a orientava com educação sem nenhuma precisão, sem convencer a ambos que sequer já haviam se falado ao telefone. Ela pensava, nossa nem de longe parece com quem imaginei.... falei tantas vezes.
A conversa findou, despediram-se. Super intrigada junto a um suco num bar ao lado ela se indagava, buscava entender. O que afinal tinha acontecido? A sensação era do feito não feito. Do plano pela metade. Dera errado.
Algum tempo depois ao ver os emails que recebera antes do rapaz, teve certeza. Aquele cidadão que se esforçou para reconhecê-la de fato dela não sabia.

Pior foi ter certeza que o tal que a dispensou sorrindo, educadamente lhe dera um despacho, aquele sim, era quem ela quisera tanto ter falado. Conhecido.

E então? Foi ou não um Duplo e grande engano?
Merece ou não um prêmio a nossa Clarabela?
Pois é, mas não convencida tratou de pegar o telefone e desfazer o feito.
E foi assim.
Rindo muito ambos começaram de fato, a saber, quem realmente eram.
Ainda bem. Já pensaram se esse nó não pudesse ser desfeito?
Bom, o decorrer desse causo ela não me contou, acho que ainda está decorrendo....

Brincar de te gostar...





Brincar de te gostar...

Brinco de brincar contigo,
Brinco de te agradar,
De teu sorriso roubar...


Brinco de te dar alegria
Brinco de fazer poesia
Brinco de te conquistar...

Brinco de brincadeira
Falo bobagem, besteira.
Só para teu riso escutar...

Brinco para te ter por perto
Brinco sem saber ao certo
Onde isso vai chegar...


Brinco é bem verdade.
Mas tudo assim sem maldade
Brinco, mas tenho sim saudade...


Brinco, e brincando digo.
Brinco e vou te contando
Meu gostar vou te revelando...


Brinco porque é leve,
Brincar só nos faz melhor
Brinco, mas meu querer é maior...


Brinco então de te gostar
Ai o brincar é verdade
Meu coração que brinca
Gosta-te e quer te contar...


Quero-te bem pra valer
Gosto-te um tantão assim
Agora é sério vou dizer:
Você é muito querido para mim!

É Círio de novo



É Círio de novo

Setembro. Aqui neste lugar setembro é outubro e outubro é dezembro. Calma. Não é que queira por fim ao ano, não se trata disso. Apenas chegou setembro. Em 22 será primavera. Aqui já é mês que antecede O Círio de Nazaré. Pouco mais de um mês. Providências tantas são tomadas nas nossas vidas.Os festejos Religiosos, agendas, compromissos da Santa Peregrina, roteiros de peregrinações, tudo já pronto, novenas nas casas,visita da Santa ao lar,orações e reflexões, tudo providenciado.

Nas casas do paraense já se armazena patos, nas plantações o corre-corre final para que não faltem o Jambu, o Tucupi, Maniva, Maniçoba. Nada pode falhar. Já é visível certo ar de festa na cidade. Aqui costumamos dizer “O Círio ta na porta”. Este ano a Santa sairá da frente da Catedral da Sé completamente restaurada, após quatro anos fechada para recuperação a Catedral que data de 1748, com seu grande Órgão francês, suas pinturas italianas está de portas abertas a nos esperar. Um motivo a mais para nos alegrar. Completaria se de presente recebêssemos a nomeação de um novo Arcebispo vez que o nosso anterior foi designado para servir no Rio de Janeiro e estamos conduzidos por um Administrador Diocesano. Para o povo católico daqui o Arcebispo é deveras importante. É o cajado maior a nos guiar.
Mas o Círio bate a porta. Aporta em nossos corações cheios de fé, de amor que anseia por ser demonstrado. Vambora!

Em Belém outubro é quase um Natal. Há quem refira como Natal do paraense. Por isso o calendário meio que adianta. Muita festa religiosa, muita profana. Almoço diferente. Passeios diferentes. Ares diferentes. Reencontros! Roupas novas. Arrumar a casa. Um rol de providenciar. Um imenso confraternizar entre famílias, amigos, entre paraenses e confrades de outros estados, muito turismo nacional e internacional.
Nessa época precisava ser duas para poder participar de quase tudo. Peregrinações, descida da Santa Original, aquela encontrada por Plácido do Glória, para um Nicho de Flores onde fica até o fim dos festejos. Eu explico:
A Imagem de Nossa Senhora de Nazaré encontrada pelo caboclo Plácido há mais de duzentos anos, no Igarapé Murucutu onde foi erguida a Basílica Santuário não é a mesma que peregrina por todo o Círio. A Imagem Peregrina é uma Réplica Italiana que sai na Berlinda desde 1969.
No mundo profano tem o Arraial do Pavulagem com o Arrastão ecológico do Peixe-Boi, o Auto do Círio, um incrível teatro de rua, A feira do Miriti, muitos concertos para Maria e tanto mais.

Mas, maior sobremaneira que tudo é a emoção pranteada da Fé, ver o povo entregar se em prece a Maria. Vislumbrar cada olhar brilhando, a energia das mãos erguidas, a voz autêntica da Fé de um povo. Parece assim que cada um dos milhões de romeiros carrega no peito um Círio. A fé que nesta hora ganha imagem e torna-se palpável. É como conduzir a si mesmo aceso, luzente, para homenagear e reverenciar essa mãe amorosa. E de lá da Berlinda ela sente, capta o agradecer, o louvar o rogar de cada um de nós, e sentimos dela o retornar do amor. Somente quem vivencia este experienciar sabe o que vai em nós nessa exata hora.

O coração cala, a alma vem e se transporta. Unem-se todas as esperanças. Nesta hora cada um são todos, um só povo. Um só coração.
É amor que não se dimensiona...



Elucidário:

Círio – Vela grande de cera.

O Glória - fica ao alto sobre o Altar-mor da Basílica Santuário de Nazaré, onde há uma redoma de cristal anti-projétil que abriga a Imagem Original de Nossa senhora de Nazaré durante todo o ano. No entorno um coro de Anjos sobre nuvens, a circundando.

Miriti - uma fibra leve da palmeira também conhecida como Buriti e chamada de isopor da Amazônia da qual se fabricam brinquedos há 200 anos no Pará em especial na temporada do Círio de Nazaré.


Jambu - é uma erva típica da região norte do Brasil, mais precisamente do Pará. Uma de suas principais características é a capacidade de trimilicar os lábios de seus comensais

Tucupi - é um molho de cor amarela extraído da raiz da mandioca brava, que é descascada, ralada e espremida (tradicionalmente usando-se um tipiti). Depois de extraído, o molho "descansa" para que o amido (goma) se separe do liquido (tucupi). Inicialmente venenoso devido à presença do ácido cianídrico, o liquido é cozido (processo que elimina o veneno), por horas, podendo, então, ser usado como molho na culinária.


Maniva / Maniçoba - O nome dado ao arbusto da manihot é maniva. Trata-se de um arbusto que teria tido sua origem mais remota no oeste do Brasil (sudoeste da Amazônia). A maniçoba, também conhecida como feijoada paraense, é um dos pratos da culinária brasileira, de origem indígena. O seu preparo é feito com as folhas da maniva /mandioca moídas e cozidas, por aproximadamente uma semana (para que se retire da planta o acido cianídrico, que é venenoso), acrescida de carne de porco, carne bovina e outros ingredientes defumados e salgados.




Para consultar - http://www.ciriodenazare.com.br/

Afinal Belém rima com que? ¿?



Afinal Belém rima com que? ¿?

Rima com verde, que rima com natureza, que rima com beleza.
Belém rima com alegria, rima com alegoria, rima com festa noite e dia.
Rima com coisa a beça, rima com fé, emoção, rima com Círio, promessa.
Rima com Ver- o -Peso, com cheiro cheiroso rima, com povo caloroso, com açaí do grosso, gostoso.
Belém rima com Rios, com praia de água doce, Casarios, Pororoca e desafio.
Rima com Tapioquinha, com Mururé com Tainha, rima com macaxeira e café.
Rima com Estação, Ver-o-Rio, com hospitalidade, rima com calor e chuva da tarde.
Com Nilson Chaves rima Verequete e Arraial, Rima com Pinduca, rima com o exotismo das frutas.
Rima com Carimbó, Síriá, Ajuruteua, Combu, rima com Marajó, Pimenta - de- Cheiro e Jambu...
Belém rima com Catedral, Bar do Parque, da Paz, rima com República, Mangal.
Rima com Tacacá, Tucumã Taperebá, Muiraquitã, Muruci, Cupuaçu, rima com Bacuri.
Rima com tia cheirosa, Largo da Palmeira, Maniçoba, rima com Praça da Sereia.
Icoraci, Guamá, Juruti, Guajará, Piracuí...

Belém rima com tanto, com Ópera, com canto, com Aviú, pupunha, picolé da Cairu.
Rima com pele morena, com transladação, novena, com Remo e Paysandu.
Rima com muito abraço, afeto e bastante suor, com crenças lendas, cultura, Belém rima com Cidade Velha, com Nazaré e Gentil. Rima com liberdade que vai além de seus Rios.
Belém rima com acolher, receber dar guarida, rima com despedida com emoção rima sim, Belém rima com meu coração.

Rima com Goeldi, Waldemar, com braços de rios, com mar, rima com Rodrigues Alves, Rima com Capoeira, com Ruy Barata, Paulo André, rima com Walter Bandeira.
Rima com Leila Pinheiro, com Jane e com Fafá, Rima com cheiro da Phebo, Com Orion, Guaraná.
É rima que não se acaba infinita como as águas, de Belém o circundar.
Belém rima com navegar, com esperança, vontade, rima com o anseio de poder sempre rimar.
Rima com Trovadores, Com Auto do Círio rima, Rima com Pavulagem, Andores, rima com Boi, Peixe-Boi. Rima com tantos sabores.
Rima com meu gostar...
Rima com minhas sementes,
Rima com meu lugar,
Meus afetos,
Tanta gente...
Posso até ir, demorar...
Mas quero poder sempre voltar...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Cada dia




Cada dia

Reunir alegrias
Uma voz ao longe
Um sino... Magia!

Caminho - POETRIX





Caminho

De cores, coberto.
Carinho,
Repleto!

COLORIR – Acrostrix com Tautograma




COLORIR – Acrostrix com Tautograma

COntar caminhos, cantar contigo.
LOnge, ler lindas letras, leves, luzentes...
RIR, rosas rememorar, revelações reservar...

COLORIR – apenas Acrostrix




COLORIR – apenas Acrostrix

COnto horas, quero ouvir o ressoar.
LOgo sinos fazem músicas, cantando ao coração...
RIR entremeando afetos indisfarçáveis, colorindo os dias...

About me.... (about us....)



About me.... (about us....)

A mulher que sou está diluída naquilo que escrevo. Minha Poesia é líquido que circula. É em mim. Está. Vive. Não nos dissociamos. Siamesas, respiramos pelo mesmo pulmão. Inseparáveis.Nunca repartimos, apenas completamos uma a outra.Ela me faz bem. Eu sou dela o veículo, canal. Ela é meu oxigênio, eu sou dela o respirar. Eu, sou ela transposta.Transcrita.
Sem acordo de separação. Indivisíveis.

Trovinhas só para ti




Trovinhas só para ti

I

Flagrei-me longe pensando
O pensamento flutuava
Divagava algo buscando
Em quem afinal pensava?

II

Quem sabe na lua pensava
Num céu de estrelas repleto
Luz do Sol imaginava
Céu e mar, em azul completo.

III

Talvez eu pensasse em flores
Doces aromas a sentir
No pensamento suas cores
Dos pássaros os sons ouvir!

IV

Confesso tudo pensava
Mas algo em mim acontecia
Um pensar se destacava
O que seria? Não compreendia...

V

Nestas linhas vou brincando
Claro, sabia em quem pensava
Via-te, tua voz escutando
Meu pensar que te buscava!

domingo, 6 de setembro de 2009

Estrela Imaginária - TRIOLÉ




Estrela Imaginária - TRIOLÉ

Imagino para que caminho teu existir me conduz
Viajo em um olhar que de mim sempre se esconde...
Num devaneio, chego a sentir dos teus olhos a luz,
Imagino para que caminho teu existir me conduz
Quero encontrar-te descobrir o que em ti me seduz,
Deixa meu luzir chegar, vem te mostro por onde...
Imagino para que caminho teu existir me conduz
Viajo em um olhar que de mim sempre se esconde...

Sobre Paixão - frases






Sobre PAIXÃO

I – Quando a insensatez seqüestra de súbito a coerência. O coração cobra pelo resgate da razão. Preço.....

II- Quando o coração raptado ofertou-se ao ato e agora implora não ser devolvido. Quer ficar...




Nota:O fotógrafo Moisés González fez uma recriação de várias obras do pintor Gustav Klimt, através da fotografia.Nesta , a reprodução fotográfica de "O Beijo"".

Compreender o incompreensível



Compreender o incompreensível

Permitia-se ser levada. Conduzida. Há muito já circundava aquele ermo local.Estranhamente era guiada sempre ao mesmo ponto.Decorriam-se temporadas e quando por alguma razão ia aquele lugar uma inexplicável sensação lhe advinha.O que a intrigava era pressentir gostar.Algo desconhecido ali lhe atraia.
Em uma estratégica ou planejada cartada do destino, avisou-se: Tudo poderia mudar. Haveria que se desfazer do que sequer compreendia, mas o certo é que se distanciaria para sempre da possibilidade de descobrir. Logo sentiu-se em perigo.O risco de arrepender-se era maior e a incomodava.Só então pode perceber o quanto aquele caminho que quase sempre fazia, no qual sentia não ser conduzida por seus pés, cabeça, era imprescindível.Dirigir-se aquele encontrar a libertava do igual, do qualquer.Isentava-a de dívidas consigo mesma.Era incompreensivelmente alentador.
Esteve à beira do abismo. Do derrapar.Precisava socorrer-se.Um socorro que ninguém se não ela poderia se propiciar. Devia a si um decidir. Pensou em pensar. Anulou pensamentos vãos. Apagou supostas certezas. Arranjou-se com algumas tênues razões. Armou-se. Achou no nada, motivos. Definiu fazeres.Não hesitou. Foi. Exultante.
Mais a frente uma nova percepção delineou-se. Algumas sombras que camuflavam o compreender se desfizeram. Agora percebe claramente onde está.Compreende o magnetismo que a atrai. Acolhe o novo. Pode sentir aos poucos o chão. Quer de terra ou nuvens. Está por descobrir.
Mas aposta no bom (boom) da descoberta.
Pretende se permitir ficar.
Estar. Experimentar.
Sente-se quitando débitos com o seu existir. Seu coração.

sábado, 5 de setembro de 2009

Abraço em Prosa e Poesia...




Abraço em Prosa e Poesia...

Pequeno.
Rápido.
Não importa.
Importa o sentir.
O que está no entorno, no entremeio.
Abraço é a vontade de dizer: Quero-te bem.
É dizer na linguagem corporal: Eu te gosto.
E tantos outros dizeres, dependendo do coração daqueles que se abraçam.
Em especial do que há de verdade em cada ato de abraçar.

“Se te abraço, paro o relógio.
Eternizo meu estar juntinho a ti.
Fecho as portas do ser, do pensar...
Nada interporá esse sentir.”

Fica. Meus braços que te enlaçam dizem ao teu corpo.
São mensagens advindas do coração.
Deixa – É meu corpo que agora fala.
Deixa o calor transpor, deixa a energia trocar.

Silêncio....
Nada diz.
Só abraça.
Nenhuma palavra é cabível nessa hora.
O abraço é fala sem verbos.
Abraço que só comporta sentir.

Sente.
Sente que o meu respirar sintoniza o teu levemente.
Que suave, o meu afeto capta o teu.
Sente apenas.
Only this.


Age sem pressa.
Pretensão.
Não te limita.
Permite essa interação.
Corpos entrelaçados.
Entrega.

Abraço é entrega.
Descobrir.
Desvendar.
Não teme.
Absorve tudo de mim que em dizeres não hei nunca de exprimir.
Ouve atentamente os sons que só nesta hora, únicos, ecoam.

Vem.
Quero te falar que importas para mim.
Deixa eu te abraçar?
Trocar.
Tocar.

Posso?
Quer?



# Por um pequeno, inesquecível abraço.

05 de Setembro- Dia da Amazônia!!!





05 de Setembro- Dia da Amazônia!!!


Dia da Amazônia. Instituído pelo Presidente Lula em 5 de setembro de 2007, para homenagear a criação da Província do Amazonas por D. Pedro II em 1850. De lá para cá tudo continua caminhando. O bom e o ruim. A luta pelo combate ao desmatamento se acirrou. Mas a Amazônia continua a ser alvo de devastação do seu verde. Em especial aqui no Pará, considerado o maior vilão da destruição florestal. Nossas áreas de florestas úmidas são desertificadas dia após dia. Segundo notícias na mídia em relação ao ano que passou o desmatamento reduziu mas ainda assim é grave e preocupante.
Segundo dados divulgados pelo INPE- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais o desmatamento foi 46% menor que o ocorrido entre 2007 e 2008, no mesmo período. Ainda assim é alarmante. A região desmatada entre 2008 e 2009 equivale a TRÊS vezes o território da cidade de S. Paulo.
As ações para coibir o avanço desmedido intensificaram. As Eco discussões ganharão volume e a atenção do mundo na Conferência de Copenhague em dezembro deste ano. Muito há que se discutir, amadurecer e decidir. Aprimorar, martelar a consciência do Homem que queima, desde o executor ao que determina. Revigorar e reeditar leis eficientes e duras contra os reais destruidores da Floresta.
A Amazônia é bela, extensa, rica em condições climáticas, flora, fauna, relevo, hidrografia, solo,biodiversidade. É pioneira no Desenvolvimento sustentável, infinitamente rica em cultura e diversidade dos povos que a habitam. Não é do Pará, do Mato Grosso, Manaus, é do Mundo, é a grande reserva.A expectativa de sobrevivência do Planeta.
Os números que envolvem este contexto são impressionantes. Os bons, de toda a riqueza que nela encontramos, e mais ainda os ruins, estes são arrasadores.
Hoje é um dia comum, alguém está desmatando nesta exata hora. Cada um de nós tem compromisso, precisamos conhecer mais, nos envolver mais, cada dia mais.
Precisamos despertar a consciência ecológica, o educar preventivamente, despertar um pouco que seja do que há de Marinas e Chicos em nós.

A ambientalista e pedagoga Patrícia Otero faz uma citação positiva sobre a ex-ministra Marina Silva que destaco aqui “Marina é a estrela. O verde e o amarelo da nossa bandeira, e representa os sonhos de muitos brasileiros. Para mim ela expressa a força inovadora da atual causa socioambiental”.
E complemento dizendo que sabe como ninguém de Amazônia, é nativa, legítima Amazonida o que lhe confere uma bagagem de conhecimento e experiência incomparável. É a nossa nova luz verde, desde Chico Mendes.
Não podemos deixar o verde partir, passar em branco, ou passar em chamas e serras elétricas. Trocar o verde por vazios.

De CHICO MENDES: “No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebi que estava lutando pela humanidade.”

Que viva a Amazônia.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Abraço - Acrostrix




Abraço - Acrostrix

Abrir-se ao carinho,
BRAços teus em mim envoltos
COntidos de calor....

Colorir (Acrostrix)




COLORIR - Acrostrix

COnto horas, quero ouvir o ressoar.
LOgo sinos fazem músicas, cantando ao coração...
RIR entremeando afetos indisfarçáveis, colorindo os dias...

Dezembro vindo.....

Daisypath Anniversary tickers
Monarch Butterfly 2

Escrevo para.........

Quando escrevo exorcizo fantasmas, é meio abstração e também minha realidade se despindo.Sou eu me confessando a mi mesma.

Um Poetrix ...verdinho......


Escrevo para....

Escrevo para por no mundo pequenas ânsias, escrevo para aportar desejos aflitos, escrevo para me salvar, é como Jogar as âncoras, o barco ora vai ao sabor das ondas, ora é a deriva....
Escrevo para acariciar as suas almas,e ser tocada por seus olhos impressos de brilho!
escrevo para Gozar,Flutuar, ser e merecer, Escrevo para seus delírios, seu deliciar!
Escrevo para vocês,
Agradeço seus olhos em mim, na minha ruptura poética!
Escrevo!

Muito grata por me sorverem as letras!
A todos que aqui passarem seus olhos, mentes e corações!
Rose

Sobrepondo Sonhos.....