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sábado, 31 de outubro de 2009

Iminente saudade....





Iminente saudade

Sentimento que arrefece o coração.
Cerra cortinas. Nubla o olhar.
Esconde o sorriso.
Transborda
Transporta.
Viola a alegria.
Corta sem sangrar.
Revela as ilusões
Franqueia os desejos.
Já não é sol nem mar.
É chuva, temporal.

Saudade afasta a euforia.
Descolore a fantasia.
Desertifica a alma...
Preenche com só saudade...

Impregnada de lembranças
Impressa na memória
Saudade afeita de ausências,
Quer vividas ou não,
Experienciadas ou não,
É falta solenemente decretada.

É querer declaradamente o não ter.
É sentir excessivo, corrosivo,
Que dilapida coração.
Saudade...
Sem trégua,
Sem time,
Sem hora marcada,
De chegar desavisado...
Instalada...

Saudade...

Trovas e indagações





Trovas e indagações

I
De que beijos fujo assim
De quantas bocas me esquivo
Que lábios urgem por mim
De qual sorver eu preciso?

II
Que olhos eu quero encontrar
Qual mirar desaguarei
Em que cristal quero estar
Que mar do olhar naufraguei?

III
Que abraço irei sucumbir
Qual caminho a me perder
De que abraço irei fugir
Em que laço a me prender?

IV
Em que mãos as minhas vão
Em que corpo o meu estará
Que amor terá o coração
Por quem meu ser viverá?

Olhos........




Olhos

Olhos assim qual nuvens,
Densos,
Perdidos no tempo adverso.
Olhos meio que pretensos
Vazios,
Atirados vagantes no universo.

Olhos entregues ao léu das lembranças
Alheios.
Ausentes de febre ardente.
Olhos ressequidos, desbotados anseios,
Opacos
Léguas vão do presente.

Olhos sem tradução.
Destoantes.
Encerrados no interrogar.
Indagadores, vacilantes.
Das dores
Da premente solidão.



Olhos,
Esquivos, insones.
Desaguando afluentes
Olhos de rios que agonizam
Transparecem aridez...
Olhos sem cor, que dissipam.
Controversos, renitentes.


Olhos órfãos de amor.

Recírio outra vez.........





# Escrito logo ao Recírio,mas a correria impediu de publicar a tempo.

Recírio outra vez...

Termina a quinzena do Círio. A temporada do Círio de Nazaré. Encerra com inúmeras homenagens, religiosas, profanas, esportivas. Por aqui, este é um evento repleto de multiplicidades. Tudo nessa temporada converge par um ponto só. As feiras de artesanato expõem sobre o Círio, os Shoppings decoram-se inteiros para o Círio, surge cada exposição entre curiosa e perfeita. Aos olhos é um constante alegrar. Belém é uma grande festa. Quem já não viu e se divertiu com os Palhaços Trovadores e a peça “A morte do patarrão”, e deu boas risadas com os Notáveis Clowns na peça” Em busca de um lugar a corda”?
Sem contar o Auto do Círio, a Feira do Mirití, o Arrastão do Pavulagem, os inúmeros shows em homenagem a Maria, muitos cantos, concertos. Ah o Círio vai e deixa imensuráveis saudades. Teremos a mão as comidas, a Basílica e a Sé, a “Nazica”, tudo está ou fica no seu lugar, mas o clima do Círio, esse é único, emotivo, dramático e alegre ao mesmo tempo, esse se vai com o Recírio, com os fogos e volta somente no ano que vem.
É Recírio. Faz feriado em nossos corações. Ficamos em casa. Nada de trabalhar cedo. A temporada foi intensa e cansativa. A Nossa Senhora original volta, entre aplausos e lágrimas ao Glória da Basílica. Mas não sai do cativo lugar que tem em cada coração, cada alma paraense.
Sentem saudades os periquitos do CAN. Sentem o silêncio, a ausência de fogos estourando os moradores e trabalhadores do entorno da Nossa Basílica Santuário. Está lá a velha Sumaumeira, a Caixa, O Instituto de Artes do Pará. Tudo fica no lugar. Aquele ambiente, espaço, ganha mais impressão de emoção, é todo um lugar sagrado pelo que lá ocorreu no Círio, pela emoção inexplicável de cada um dos DOIS MILHÕES de pessoas que ali chegaram ou se aproximaram, com as almas repletas de graças, em pleno e intenso regozijo.
Nazaré, a cada Círio, jamais será o mesmo bairro, a mesma Avenida. Nunca será igual, o dinamismo da fé proporciona isso.
Muitas saudades. Muitas alegrias. Muitas, incontáveis demonstrações de Fé neste Círio que fecha seu Ciclo.
Nada a filosofar, querer explicar. O Círio é isso. É assim, misturam o divino e a arte, a fé e o profano. Somos um e somos muitos no Círio. Somos o sagrado, o homem errôneo e imperfeito de mãos dadas com a divindade. Com a supremacia e simplicidade da religiosidade.




Adendo:

# Em Belém, o Bairro onde fica situada a Basílica Santuário de Nazaré, chama-se Nazaré assim como é também Nazaré a avenida principal do Bairro.
# A sumaumeira secular esta localizada meio ao concreto do CAN (Concha Acústica de Nazaré) e serve de palco para o Show dos periquitos que fazem revoadas com hora marcada, e tornam-se uma atração a mais.
# Nazica, é um apelido carinhoso que o povo daqui, cheio de intimidade tem para chamar a Virgem de Nazaré, que pode ser também: Naza, Nazarezinha...
# Recírio – É a segunda- feira posterior ao Término da quinzena do Círio, um meio feriado, onde se trabalha apenas após o meio-dia, e em alguns locais após as quatorze horas.

Família + Escola = Educação preventiva, não punitiva.







Algumas situações tiram nosso sono, nos envolvem tanto com indagações as quais sequer sabemos responder. Não porque somos pouco esclarecidos sobre algum assunto, mas porque toda a nossa capacidade , entendimento, maturidade torna-se insipiente ante aos fatos.
Sou mãe de filha adulta, tia de sobrinhos adolescentes, hoje adulta fui igualmente jovem, menina, e gostaria de entender melhor o que leva três meninos menores de dezesseis anos a filmarem um ato de sexo entre eles, explico melhor, dois praticam e um filma com o celular. Aconteceu aqui, em uma escola da minha cidade. O Brasil inteiro falou. Noticiou. O pequeno vídeo ficou na Rede Mundial de Computadores.
Sei muito das coisas da juventude, do pensamento do adolescente, e não estou aqui querendo apontar dedo para quem quer que seja: pais, escola, jovens. Quero apontar para cada um de nós, que de uma forma ou outra somos parcialmente responsáveis por toda ação que desencadeia a sociedade. Por exemplo, eu preciso formar instruir bem, coerentemente a minha filha para que nela as boas ações, o bom caráter se desperte e lá na frente quando for aplicar suas instruções e experiências possa contribuir na formação de outros cidadãos.
Impressionou-me não foi o fato de saber que meninos de quinze, quatorze, treze anos fazem sexo. Não, não sou idiota a esse ponto. Sei da urgência sexual que assola o adolescente. Estarreceu-me ver a patética cena pelo lado da banalidade. Em alguns momentos os “atores amadores” mudam de lugar para que a filmagem fique melhor, em dado momento o menino que pratica o ato, digamos arruma o rosto da menina para que apareça suficientemente bem no vídeo, observando o ângulo da tomada. Ela pelo seu lado participa em tudo, passivamente. Notei que os rostos dos meninos não é mostrado em nenhum momento. Há no fundo uma voz, que dirige a cena, de um dos meninos. E no fim, digamos assim há um murmúrio de conclusão de algo, uma aposta, uma ameaça, castigo, quem vai saber. Como que cumprida a meta. Puro exibicionismo? Somente uma inconseqüente brincadeira? Não creio.
Tudo muito banal, e realmente intrigante. Indago-me no que poderia levá-los, cada um a tal gesto, indago-me sobre que influências recebem quais suas orientações religiosas, o nível de diálogo familiar, o amor que os cerca. São tantas, inúmeras situações a serem observadas que podem quem sabe ser indícios de que algo definitivamente não vai bem nesse mundo tão globalizado de hoje.
Vejamos: Quem está realmente habilitado a ensinar (corretamente) orientação sexual nas escolas? E em que fase, nível da formação? E em casa, como devem preparar-se os pais para tal? Mas, trata-se a meu ver de ir mais além, não apenas um desvio sexual, uma má orientação ou falta de. É bem mais, é muito mais social do que imaginamos. Quando eles (meninos e meninas) se propõem a fazer sexo filmado, testemunhado, e divulgar essa imagem na Rede Mundial há certamente por trás disso muito mais que uma brincadeira inconseqüente. Há um envolvimento de valores morais, ou a ausência deles quiçá a distorção quer de qualquer instrução, ou quem sabe a repetição do que lhes é real. Banal. Penso ser um assunto que não deve calar em nós. Deve ser objeto das nossas reflexões, e razão para que enquanto sociedade possamos agir sempre, ou na maioria das vezes com coerência, clareza diante dos nossos jovens.
Para instruir não é necessário omitir, muito ao contrário informar é essencial. Mas formar, construir, despertar valores nos jovens isso sim penso ser o mais importante, se não os religiosos, os morais, exercitar os conceitos que indicam os melhores gestos, conscientizar, delinear perfis que saibam discernir o bom do ruim, o certo do errado, desenvolver o genuíno respeito por si e pelos outros, o convívio com as limitações. O NÃO dito com firmeza, o sim respaldado são ações responsáveis, afinal só indica o caminho quem realmente o sabe, só divulga boas idéias, bons conceitos quem os compreende e pratica. Na realidade, doamos aquilo que temos, sabemos, e às vezes sabemos muito pouco. Enquanto sociedade precisamos avançar nesse rumo. O futuro da nossa juventude pede isso urgentemente. Família, escola sociedade como um todo, temos nossas parcelas generosas de falha, certamente.
Saber o que o seu jovem faz, o que lê , ouve e/ou vê. Conhecer (de perto) suas companhias, participar de suas programações, sugerir, opinar, destinar um pouco do seu tempo a ele, ser sensível as suas inquietações, compreender o “ser” instável, emocional, se fazer presente. Indagar, provocar a reflexão, imprimir confiança, confiabilidade a relação. Ter ações preventivas e não punitivas. Estar perto. Faz uma grande, enorme diferença.

Subitamente - Poetrix




Subitamente

Sentidos sacodem
Soltam-se suaves
Serpenteiam saudades.

Essencial sentir _ POETRIX



Essencial sentir

Entre o visível e o intangível
Quando ao coração fala o olhar.
Quando coração com os olhos quer dizer.

Vassalo do coração





Vassalo do coração

Quem sou se não um reles vassalo do coração?
Que escraviza,
Molesta e sulca a paz.
Transpassa a ferro escaldante,
Fere ,desmembra,mutila pela saudade...

Ah coração algoz do meu sossego,
Subjugas meu sentir,
Decepas a frio as minhas parcas esperanças...
Pedes-me rendição,
Sou sujeita aos teus capciosos caprichos...
Coração imune à compaixão...

Coração carrasco dos meus sonhos
Submetes meu querer aos teus...
Meu dono, dono do meu abandono...
Sangrar ferino, agrura que não debela...
Coração sem comiseração.


Chaga que não dissipa...
Sentir que não sara,
Dor que não se esvai.
Fenecer que não ultima...
Aberto, exposto ao tempo do desertar,
Desamparo e solidão.


Amor de infinitude...


Ah coração sem coração...

Meus passos...passos meus





Meus passos...passos meus

Passo sede
Passo frio
De fome também padeço
Passo pela saudade
Solidão passa por mim...

Por mim o tempo passou
Passo assim sem te ter
Passo sem sonho, razão.
Passo ao léu sem te saber...

Passo por entre as ruas
Passam isentos de emoção
Passo noites tão escuras
Agruras reversas da paixão.


Passo passos vazios
Passo caminhos sem volta
Passo dias tão sombrios
Passo só, passos sem fim.


Passo passos inertes
Passo pelos meus torpores
Passos febris, amargados.
Passo a latência das dores.


Passo, somente passo.
Passos, ausentes laços.
Passo sozinha passo
Passos, sós sem abraços...


Passo enfim, sem ti, só passo.
Passos alheios e perdidos
Passo alheia e sem abrigo
Passo sem mais sentidos
Passo,
Passo...
Só passo.
...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A primeira vista ( Conto)




À primeira vista (EC)

Aquele sim era um sentir descabido. Aquele era sim um tórrido querer. Sentia-se como se tivesse acordado para viver um pesadelo. Sua intuição lhe dizia dia após dia: Isso não terminará bem. Mas, uma parte nublada, obscura do pensamento, como que drogado, não se fazia compreender. Oscilava. Horas mais real que fantasia, noutras um castelo de estranhas aparições.
De algum modo toda a situação gerava um grande incômodo, e a cada manhã jurava por fim em algo que sabia, não terminaria bem. Mas o dia corria veloz, e alguns desejos ficavam no vento do caminho.
Seria pecado? Crime? Castigo? Ou engordaria?
Quem adiava quem? Quão difícil decidir, desanuviar os pensamentos vãos então, exigia quase um sangrar.
Às vezes não entendia se era peso na consciência ou algo parecido... mas se martirizava, a verdade era essa. Desde o dia que idealizou , planejou, concebeu e sentiu, nunca mais dormira bem. Veio o querer, fora-se o sono e se vinha já manifestava tarde, chegava leve e em quase todas as noites acordava em sobressalto, como que asfixiado sentava na cama, e banhava-se de suor, frio... Depois outra demora para ao dormir retornar, isso quando conseguia.
Ao fim de vinte e nove longos, intermináveis dias seu rosto tinha indisfarçáveis e generosas olheiras, de dia escondia com os óculos e de noite?
O que faria?
Perturbação.
HAVERA de conseguir... resistir, tudo em nome da coerência, da moral, do “suposto” certo, do “tido politicamente correto”... Passou a contabilizar, qual um viciado em abstinência, um dia de cada vez. Era isso, um tortuoso dia de cada vez. Pontuava. Mas entristecia. Depois de um tempo era conduzido, guindado talvez pelos pensamentos secretos ou sabe-se Deus porque ao mesmo ponto. Mal via, e lá se achava. Seria se achava ou se perdia? Perderia?
Que briga era aquela...
Era mesmo o caminho do precipício, contra o qual parte dele se abstinha resistente e outra se atirava de olhos vendados...
Que sentir era aquele. Que voraz vontade. Que o devorava, corroia, aos poucos... impassível, acorrentado, algemado, duvidoso..... O Que fazer?
Num dia não tão qualquer achou que se bastaria, mas não... Tudo fora maior, mais forte, completamente incontrolável, irresistível, e quiçá sem volta...
Aconteceu.
“Quando a achou, se perdeu, quando o olho brilhou, entendeu, quando deu por si, estava ali...” (By Chico Cesar).
E culminou.
Gozo e restauração. Realização do infinito querer. Orgasmático. Quase delituoso.
Avançara ao balcão rapidamente, com os olhos faiscantes, luminosos, vidrados, pupilas visivelmente dilatadas dirigiu-se a Magdalena, a bela e doce (suculenta) balconista...
Um longo e infindo suspiro. O ápice. O êxtase.
- Magdalena, por favor, um fatia da torta de bons bocados dupla...
Na seqüência (como que avisada) entra a Dra. Diana, sua esquálida nutricionista, responsável pela dieta que tentava cumprir a dolorosos trinta e oito dias.
Foi o fim...
The end.
Pensou:
- as favas a flagrância delituosa, ao “ser pego com a boca na botija”, não exatamente na botija. Sabia-se naquela hora um ser delitivo.
-danem-se as calças na mão, “be caught red-handed”.

E olhando para as suculentas fatias do pecado, cantou em pensamento, antes de abocanhá-las:
... “QUANDO VI VOCÊ ME APAIXONEI.”



Adendos:

Música incidental: “A primeira vista” de Chico Cesar.


Be caught red-handed - Expressão idiomática que em Inglês resume todas as citadas como: ser pego com a boca na botija, com as calças na mão, no flagra, ou seja, ser pego com a mão vermelha (de sangue) no ato do crime.


# A palavra HAVERA está escrita em maiúsculas em razão de não grafar em Itálico, aqui no Recanto. A razão é: ela não existe na Língua Portuguesa, mas é comum falar nas regiões Norte/ Nordeste. Regionalismo com a devida observação.


*****
Este texto faz parte do Exercício Criativo - Flagrante Delito.
Saiba mais, conheça os outros textos: http://encantodasletras.50webs.com/flagrante.htm

domingo, 25 de outubro de 2009

No limiar do olhar...





No limiar do olhar...

Há nos olhos teus generosa aura de luz,
Que iluminam teu rosto, falantes que são,
Revigora o semblante, brilho na escuridão.

Sinto no alegre sorrir intensidade e magia,
Teu leve expressar é impresso de ternura.
O rosto é qual pintura, retrato da alegria.


No limiar dos sonhos, estás sorrindo entre a moldura...


No secreto do pensar, são meus, teus olhos e olhar...

Diferente do nada




Diferente do nada

Maior ou menor
Positiva ou negativa
Real saudade...

ASPAS




Aspas

Cercar,
Fechando, abrindo...
Dentro, saudades...

Colchetes





Colchetes

Demarcam...
Destacam,
Saudades no centro.

Chaves




Chaves

Delimitando
No conjunto...
Saudades.

Parênteses




Parênteses

...solitário
Preenchido
Saudades no meio...

Saudade again




Saudade again

Saudade sempre será saudade
Seja em que tempo ou lugar for
Saudade reflete nossa verdade
Tem nome, cor, aroma e sabor.


Saudade, tudo que agora tenho.
Saudade do que sequer provei
Saudade que agora contenho
Lembranças que de ti guardei...


Saudade que a alma entristece
Rouba os sonhos, a esperança.
Saudade o coração arrefece
Fazendo chorar qual criança.


Saudade que me faz escrever
Versos meus destinados a ti
Saudade um poema escrever
Expressar tristes rimas, aqui.

Só ...sucumbindo - Tautotrix




Só... sucumbindo

Sólida solidão sentindo
Súbita sensação
Sombria saudade...

Vago - POETRIX




Vago

Vácuo
Vazio que fustiga
Saudade lancinante.

Saudade ( Tautograma )




Saudade (Tautograma)


Sorvendo sensações
Saber-se só, segredando.
Suaves sonhos sentindo
Serão sempre, saudades.

Ser semblante, ser saudades.
Ser sentimentos sutis
Sem sol, sombras somente.
Ser saudades... solidão.

Saudade
Sem sossego
Sem saída
Sentir, somente.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Saudades em trovas





Saudades em trovas
I

Coração murcho, vazio.
Talvez saudoso de ti
Olhos nublados, sombrio.
Tanto que te queria aqui.

II

Faz muito que não te vejo
Tempos que de ti nem sei
Vontade de ter um beijo
Porque de ti que gostei?

III

Queria ao menos ter notícia
Saber de ti, que estás bem.
Ouvir - te, doce delícia.
Mas isso, não me convém.

IV

Então me resta saudade
O que de ti ficou em mim
Guardo o querer a vontade.
Tentar te esquecer, assim.

O limitar das palavras.




O limitar das palavras.

Reflito a cerca delas. Movem o mundo quer rumo à paz, que rumo às guerras. Aquecem um coração ou destroem uma longa amizade construída. Em segundos exaltam, ferem. Lapidam e destroem. Acertam e são premiadas. Erram e conduzem à derrocada. Soerguem depois dinamitam. Poderosas palavras.
Inocentes as vezes. Quanto já foi dito e que não se queria dizer? E quantas foram caladas no peito, na vontade acuada, no desejar oprimido e ficaram esquecidas. Quantas se perderam no vento voraz do tempo sem trégua?
Poucas, pouquíssimas, quase uma só e por vezes dizem tudo, resumem tratados, chegam onde pretendem chegar. Muitas, em cascatas, redundantes, volteantes, prolongadas não chegam ao fim.
Coerentes sem aprisionar as idéias. Exaltadas sem vulgarizar o dizer. Ferinas, mitigantes.
Doces conquistadores. Apaixonantes. Elogiosas respeitosamente. Sensuais no ponto da sutileza. Gozosas. Propulsoras: do Inferno ao Paraíso com ou sem passagem de volta.
Acalentadoras, de fé que abrandam a dor, de afeto que amenizam a angústia. Da terra ou do céu.
Albergando coração sem calor. Condutora de perdidos sentidos. Chave. Prisão. Senha.
Puras. Contaminadas. Saudáveis. Recém-nascidas. Terminais. Densas ou pueris.
Palavras marcadas, grafadas, queimadas a ferro. Tatuadas.
Registradas. Palavras pagãs.
Inaudíveis.
Perecíveis.
Simples palavras, curadoras, milagrosas palavras. Esperançosas. Recolhendo flores do abismo.

Palavras...

Só, unicamente, uma única exceção as torna de certo incapazes,as neutraliza,zera o relógio, apaga as letras.
Um único concorrente a supera, uma única letra ela incapaz de dizer, falar, traduzir, transcrever ou irradiar.
Excepcionalidade.

As letras do OLHAR.
Indizíveis.
Intraduzíveis.
Inexplicáveis.
O olhar, esse, resoluto, autônomo e independente... Não requer qualquer palavra.
Dispensáveis palavras.
Quer dos quereres da alma ou dos desejos do coração.



# Criado a partir da reflexão quanto a frase “O desejo da alma II” do Poeta Raimundo Antônio Souza Lopes.

http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasdeamor/1871934

domingo, 18 de outubro de 2009

Sacrário do inatingível





Sacrário do inatingível

Precioso segredo
Intuído meio aos sonhos
Gerado e acalantado
Obra: secreta do artista.

Criação
Concebida
Gestada
Acalantada
Parida, única, perfeita abstração....

Pérola, confiscada dos abissais interiores
Relíquia inigualável,
Pressuposto do excelso
Arte emanada em versos, tintas, ceras e anseios...


Castelos erigidos com primazia
Luzes enredando das ilusões o entorno
Composição averbada de sentimentos
Bem mais que abrigo de realeza...

Ruir dos muros- POETRIX




Ruir dos muros

Ranger das ilusões
Devoradoras impressões
Abastados sonhos....

Palavras exarcebam




Palavras exacerbam

Transgridem
Transcendem
Exilam querendo abrigar...

Ventos devoradores - POETRIX




Ventos devoradores

Ao largo, as caravelas
Ao longe o rememorar
Ruínas das fantasias...

Tautotrix em “R” - Restaurar





Tautotrix em “R”

Restaurar

Ruidoso rememorar
Relicários resistem
Ruas ruídas ressurgem.





Ando e Des_ando


Ando, quem sabe desando...

Sem rota ou rumo
Nem leme, nem lastro
Sem volta, sem prumo
Sem vela ou mastro.

Ando,
Quiçá desando....

Sem âncora ou corda
Sem laço nem nó
Bússola ou mapa
Sem lume, sem dó.

Nem farol nem carta
Sem direito ou avesso

Sem nada, sem tempo
Sem fim sem começo.

And_ando vou vag_ando...

Sem sim e sem não
Sem pé ou cabeça
Sem rima ou canção
Nem segunda, nem terça.

Vou and_ando....

Sem lua ou sol
Sem terço sem reza
Nem mar nem farol
Sem querer que se preza.

Desando..

Sem direção sem caminho
Sem afeto ou emoção
Nem árvore nem ninho
Nem alma ou coração...

Ando...

Desando mais que liberta
Desando sem guia ou cabresto
De mãos leves vou desperta
Da liberdade o pretexto.

Andando seguindo vou
Driblando o desamor
Em rimar continuo estou
Contrapondo amor e dor.

Desando meio aos versos
Sou um ser de andar sombrio
Andando, nas letras disperso
Preencho com elas o vazio.

Ando que ando sigo
Ando, desando a vida
Ando andando abrigo
Nem perdida ou guarida.

Apartar das ilusões



Apartar das ilusões

Aporto minhas lembranças no cais das minhas naufragadas ilusões.
Apartei-me de todos os sonhos que redundaram caminhos sem volta.
Extravio.
Perdi-me nas abissais profundezas do que me prendia a ti.
Fundeada.
Agora sou nau em desalinho, afeita as intempéries das ruínas da rota.

Aniquilaram-se as tênues vontades.
Já não sou, inexisto avulsa e avessa aos planos.
Abro a foice os caminhos trançados e traçados por entre ruidosos dolores,
Demasiada sangria.
Tormenta.



Espero que pela fresta um naco de luz alumie o negrume da alma,
O cerrado coração.
Nada que perdure ousará a eternidade, far-se a empedernir.
Não há lamento que não cesse.
Não existe fustigo que não desvaneça,
Flagelo que não debele.
Querer que não se sepulte.
Amor que não se exile.


Há de vir o sobrevir,
O porvindouro.
Abrolhar inesperado de esperançar.
Novilúnio.
Aurorescer.
Há que se ver, o inusitado, acontecer....
Descerrar o vindouro,
Expectar o remate do destino.

Teus castanhos - Trovas





Teus castanhos

I
Quis teus olhos postos em mim
Quis por eles adentrar
Olhar-te e vendo-me assim
Nos teus cristais naufragar.

II
Nem verdes, nem azulzinhos.
Nem céu nem mar comparáveis
Teus castanhos, descaminhos.
Olhos assim adoráveis.

LÁBIOS DE FLOR - Trovas




Lábios de Flor

I
Teus lábios macios que são
Tenros quais fruta fresquinha
Tem sabor de tentação
Apetece a boca minha.

II
Perfume tua boca exala
Palavras que aroma trazem
Delírio, cheiro que fala.
Ares bons que só bem fazem.

III
Sinto-me como encantada
Perdida nos teus olores
Não sei se é rosa encarnada
Lábios de flor, de sabores.

Briga Restauradora


\


Briga restauradora (EC)


Olhara-se indagativa...
Mirava-se,
Frente e costa, lado direito, esquerdo...
Inquiria a si mesmo...
Já nem sabia quem era,
Não mais,
Perdera o fio do compreender,
Achava-se estranha,
O tempo não lhe concedera o reconhecimento.
Num profundo desanimar sentou-se ao chão, deixou que a súbita vontade de chorar se fizesse livre...
Esqueceu-se do tempo ali. Mas nunca mais ousaria de si desprezar. Aquele espelho no corredor principal do segundo piso esteve lá o tempo todo, como nunca se dera conta daquilo?
Ninguém passaria naquele lugar àquela hora, precisava de um período a só consigo mesma para desencarnar a mulher ultrajada e destituída de auto-estima, que ao dedicar-se inteiramente a família, marido, esquecera da própria existência. Era mister, num choque de lucidez, de realidade, atirar escadas a baixo a ansiedade, a tristeza pela súbita descoberta, o ressentimento pela saída (dita precipitada) do marido de casa, alvejar certeiramente o abandono que sentia açoitar o menosprezo que julgava atrair, as mágoas inexoráveis. Tinha que soterrar naquela maldita (ou seria bendita) hora o ser repugnante que vira naquele espelho. Era aquilo ou então o próprio fim. Melhor escandalizar-se naquela fustigada hora, ou ruminar para sempre os brios quase aniquilados.
Fitou-se novamente, agora menos perplexa... com a blusa rota e manchada de gordura retirou do rosto o misto de lágrimas e suor. Respirou profundamente. Pausou. Num lampejo, relance olhou para trás e viu passar o filme de um casamento que durara dezoito anos e pensou que haveria de aprender a viver sem. Ou melhor, reaprenderia a viver, sem as humilhantes cenas que se obrigara a passar, desde que engordara quarenta quilos e fora trocada por uma ou tantas outras. Deu-se um basta. Um último sondar no espelho. Desceu com dificuldades as escadas, os joelhos com os meniscos estourados pelo sobrepeso quase não a permitiam andar... Dificultosamente apanhou a velha agenda na estante, foi ao telefone...
- É do consultório do Dr. André?
- sim, quero agendar uma consulta...

Sucederam outras diversas ligações...

...E foi assim que a briga começou...


*****
Este texto faz parte do Exercício Criativo - E Foi Assim Que a Briga Começou.
Saiba mais, conheça os outros textos: http://encantodasletras.50webs.com/briga.htm

Sobre segredos




Sobre segredos...

Guardar um segredo: trancafiar uma palavra, um ocorrido, um bombástico revelar.
Agasalhar uma íntima confidência, ocultar um gesto menos nobre...
SEGREDO: pode ser de um só, ou partilhado. Na maioria das vezes a partilha anula o segredo por completo, portanto se quer manter em sigilo total, enterra em ti mesmo, afunda com pedras acorrentadas no mais denso de ti.
Num recôndito lugar que até tu mesmo esqueças o caminho percas de vista, privado da memória. Ai então será para sempre segredo.
Velo alguns no coração. Segredei de mim tantos amores impossíveis, politicamente incorretos, ilegais e que engordariam pelo menos a minha consciência.
Segredo algumas ações imperdoáveis já praticadas pelas quais pedi perdão sinceramente e delas me arrependi. Homens e mulheres no geral segredam mais atos menos positivos.Quiçá suspeitos, ainda que o peso seja mais de consciência do que da própria ação.Impedimentos “ ditos “ legais.
O que é bom, feliz, aquilo que nos alegra e revigora, faz-nos mais vivos, aquecidos e desperta nossas razões, nos trás vontade de repartir, partilhar, contar, apregoar ao mundo. Esses ficam mais difíceis de segurar.
Os apaixonados, ah, esses então são o avesso do guardar segredos. Seus olhos suas palavras, suas auras, suas expressões, são de pura denúncia do sentimento que os avassala. Paixão e segredo é uma mistura explosiva.
Segredo meu, o meu amor dividido só contigo. Só por ti sabido. Segredo que entreguei a ti, sem sequer te pedir sigilo, por saber que já conservas isso a sete chaves no teu coração. Transparente que sou acumulo apenas alguns segredos da vida, mas nada que possa roubar meu sono, minha paz. Pequenos antigos segredos....

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Dança dos lábios




Dança dos lábios - INDRISO


Passeia minha boca qual navegando nua, na tua
Dedilhando teus lábios os meus vão lânguidos seguindo,
Delírio e devaneio nos teus descaminhos, meus desatinos.


Dança do véu, entontece meus lábios no teu céu,
Descobre segredos, decifrando teu gosto, doce do mel,
Boca embevecida passeia no que de ti vai sorvendo.


Dançam por entre nuvens meus lábios, tua boca, meu palco...

Ápices dos atos, culminante desfecho do amor, êxtase e torpor...

Lábios






Lábios

Lânguidos, ladinos
Lancinantes, levianos
Lanhando, louca labareda...

Agasalhas





Agasalhas

Na boca
Flores e cheiros
Louca fantasia...

Perfume




Perfume

Quando sopras
Aspiro...
Sedução invisível....

Tuas palavras...




Tuas palavras

Puro cárcere
condenação
amor fluindo.....

Delirante....





Delirante

Ao teu sabor
vento da boca
Invade, inebria....

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Doce segredo




Doce segredo

Na região não existe tortitas tão saborosas. Das duas ou três especialidades a mais requisitada era a de morango( partidos ao meio)envolta por uma mistura de leite condensado, creme de leite recoberta por uma massinha finíssima e crocante que se desfazia na boca finalizada com uma generosa cobertura de chocolate por cima.Aparentemente comum. Mas incomparável no sabor, textura e outras coisitas mais. Uns diziam ser as mãos quase de fada da Dona Ciça( vá saber...) O certo é que os casais da cidade e de toda a redondeza não passavam muito tempo sem degustar aquela maravilha. Aliás, degustar era o que nem faziam, devoravam. O vigor dos amantes renovava a cada ingestão. Vorazes sorviam suas damas quais estivessem a saborear a dita iguaria (seria dos deuses ou de quem?)
Certo curiosíssimo consumidor até chegou ao ápice da curiosidade e mandou examinar a composição da mesma, crente que encontraria guaraná, catuaba, esses incentivos, mas qual o que, havia apenas o trivial já descrito. Nenhuma fórmula mágica.
Algumas mães zelosas até proibiam suas donzelas da ousadia sob pena de terem poucas chances de mantê-las virgens impolutas até o casamento. Era um efeito instantâneo. Homens realizavam suas esposas como nunca, mulheres surpreendiam os maridos com desempenho e criatividade que eles sequer imaginavam. Dado o tanto de tortinhas a cidade tinha um clima de fetiche no ar. Aroma adocicado e meio apimentado do desejo. E a população crescia assustadoramente. Uns contam que uma moça recém alimentada pela mágica porção era facilmente identificada ao passar pelas ruas. Os homens farejavam, perdiam-se no assunto, ficavam meio que hipnotizados, e num despedir tresloucado corriam enlouquecidos para suas casas (ou casa das amadas). O que afinal teria a misteriosa torta?
A Ciça que nunca casara, aos quarenta parecia estar entrando nos trinta. A cada dia se fazia mais viçosa. Pele de pêssego, tonalidade de jambo, lábios quais morangos, um avantajado quadril contrastando com finíssima cintura, pernas longas e bem desenhadas, os longos negros cabelos que emolduravam os olhos amendoados verdes qual mar. Inacreditável ser solteira. Inconcebível. Sem sequer um reles namorado, desde que apareceu por aquelas bandas e lá se iam muitos anos. Embasbacavam-se todos, pois ela parecia mulher absolutamente feliz.
Como falava pouco, quase nada se sabia dela, da intimidade. Dizia reservadamente às damas que para manter a forma, não comia suas obras. No entanto, quando passava seu cheiro doce de frutas com nuances de florais sustentava-se no ar. Alguns homens apostavam que ao dela se aproximarem exalando de sua boca vinha um odor que encontravam nas tortas. Outros diziam que era qual cheiro do chocolate o aroma que vinha de sua pele, seu suor.
Uns achavam até que ela tinha um ou uns amantes secretos. A verdade é que nada pudera se comprovar. Tudo era muito preservado, velado. Sabia-se apenas que nas madrugadas por um considerável período a luz do quarto que era o dela permanecia acesa, no outro, na seqüência apagava-se a luz do quarto e acendia-se a da cozinha,que só apagava já ao amanhecer.
As tortas... Ah as tais tortinhas eram entregues pessoalmente por ela nos pontos de venda a partir das dez horas. Esse era um conhecido ritual.Somente no domingo a luz da cozinha não acendia, apenas a do quarto.Na segunda era o dia que não havia entrega.
Sei mais não... Só isso...
Só sei que a Ciça tinha um segredo só dela, supõe-se que cada homem da cidade o partilhava com ela, mas nunca entre si.
Ninguém ousava mais do que meras especulações.
Apenas...



Este texto faz parte do Exercício Criativo “O segredo”
Saiba mais e conheça os outros textos, acessando:
http://www.encantodasletras.50webs.com/o_segredo.htm

sábado, 3 de outubro de 2009

Haicai 187




Haicai 187

Pensar primavera
Olhando por sobre os olhos
Ver além do olhar.

Haicai 186




Haicai 186

Da janela avistar
Pintura viva diversa
Natureza em cores.

Haicai 185




Haicai 185

Um Certo acrescentar
Toque de rara beleza
Voejam borboletas.

Haicai 184




Haicai 184

Paisagens em festa
Alegram-se os beija-flores
Compondo o cenário.

Haicai 183




Haicai 183

Orquídeas e violetas
Mil flores de laranjeira
Aroma encantando.

Haicai 182




Haicai 182

Girassóis alegres
Gérberas multicolorem
A visão impregnando.

Haicai 181



Haicai 181

Flores e colores
Rosas, rubras e amarelas.
Da estação o alumbrar.

Haicai 180




Haicai 180

Sol que aclara o acordar
Cedo a manhã vem renovando.
Belém, verão intenso.

Tanca 72



Tanca 72

Tempo em mudanças
Na cidade das Mangueiras
Calor abrasador.

Belém de tantas intempéries
Desaba o céu em fortes chuvas

Haicai 179




Haicai 179

Vidros embaçados
Chovendo abundantemente
Janelas fechadas.

Dezembro vindo.....

Daisypath Anniversary tickers
Monarch Butterfly 2

Escrevo para.........

Quando escrevo exorcizo fantasmas, é meio abstração e também minha realidade se despindo.Sou eu me confessando a mi mesma.

Um Poetrix ...verdinho......


Escrevo para....

Escrevo para por no mundo pequenas ânsias, escrevo para aportar desejos aflitos, escrevo para me salvar, é como Jogar as âncoras, o barco ora vai ao sabor das ondas, ora é a deriva....
Escrevo para acariciar as suas almas,e ser tocada por seus olhos impressos de brilho!
escrevo para Gozar,Flutuar, ser e merecer, Escrevo para seus delírios, seu deliciar!
Escrevo para vocês,
Agradeço seus olhos em mim, na minha ruptura poética!
Escrevo!

Muito grata por me sorverem as letras!
A todos que aqui passarem seus olhos, mentes e corações!
Rose

Sobrepondo Sonhos.....