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domingo, 18 de outubro de 2009

Briga Restauradora


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Briga restauradora (EC)


Olhara-se indagativa...
Mirava-se,
Frente e costa, lado direito, esquerdo...
Inquiria a si mesmo...
Já nem sabia quem era,
Não mais,
Perdera o fio do compreender,
Achava-se estranha,
O tempo não lhe concedera o reconhecimento.
Num profundo desanimar sentou-se ao chão, deixou que a súbita vontade de chorar se fizesse livre...
Esqueceu-se do tempo ali. Mas nunca mais ousaria de si desprezar. Aquele espelho no corredor principal do segundo piso esteve lá o tempo todo, como nunca se dera conta daquilo?
Ninguém passaria naquele lugar àquela hora, precisava de um período a só consigo mesma para desencarnar a mulher ultrajada e destituída de auto-estima, que ao dedicar-se inteiramente a família, marido, esquecera da própria existência. Era mister, num choque de lucidez, de realidade, atirar escadas a baixo a ansiedade, a tristeza pela súbita descoberta, o ressentimento pela saída (dita precipitada) do marido de casa, alvejar certeiramente o abandono que sentia açoitar o menosprezo que julgava atrair, as mágoas inexoráveis. Tinha que soterrar naquela maldita (ou seria bendita) hora o ser repugnante que vira naquele espelho. Era aquilo ou então o próprio fim. Melhor escandalizar-se naquela fustigada hora, ou ruminar para sempre os brios quase aniquilados.
Fitou-se novamente, agora menos perplexa... com a blusa rota e manchada de gordura retirou do rosto o misto de lágrimas e suor. Respirou profundamente. Pausou. Num lampejo, relance olhou para trás e viu passar o filme de um casamento que durara dezoito anos e pensou que haveria de aprender a viver sem. Ou melhor, reaprenderia a viver, sem as humilhantes cenas que se obrigara a passar, desde que engordara quarenta quilos e fora trocada por uma ou tantas outras. Deu-se um basta. Um último sondar no espelho. Desceu com dificuldades as escadas, os joelhos com os meniscos estourados pelo sobrepeso quase não a permitiam andar... Dificultosamente apanhou a velha agenda na estante, foi ao telefone...
- É do consultório do Dr. André?
- sim, quero agendar uma consulta...

Sucederam outras diversas ligações...

...E foi assim que a briga começou...


*****
Este texto faz parte do Exercício Criativo - E Foi Assim Que a Briga Começou.
Saiba mais, conheça os outros textos: http://encantodasletras.50webs.com/briga.htm

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Quando escrevo exorcizo fantasmas, é meio abstração e também minha realidade se despindo.Sou eu me confessando a mi mesma.

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Escrevo para....

Escrevo para por no mundo pequenas ânsias, escrevo para aportar desejos aflitos, escrevo para me salvar, é como Jogar as âncoras, o barco ora vai ao sabor das ondas, ora é a deriva....
Escrevo para acariciar as suas almas,e ser tocada por seus olhos impressos de brilho!
escrevo para Gozar,Flutuar, ser e merecer, Escrevo para seus delírios, seu deliciar!
Escrevo para vocês,
Agradeço seus olhos em mim, na minha ruptura poética!
Escrevo!

Muito grata por me sorverem as letras!
A todos que aqui passarem seus olhos, mentes e corações!
Rose

Sobrepondo Sonhos.....