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sábado, 28 de julho de 2012

O orgasmo da escrita

Republicação em homenagem ao Dia do Escritor
 

                                       

O orgasmo da escrita
 
     Entre tantos prazeres terrenos, pecados ou não, alguns me são incomparáveis, sexo e gozo, primordiais, por tanta proximidade com o chegar ao céu, por estarem no tênue limite que há entre viver e morrer.
     No meu conceber, entretanto há um gozo, prazer intenso, voluptuoso, chamado escrever. Diria mesmo ser um gozo com as palavras uma elipse amorosa, o orgasmo que provoca a escrita.
     Entre infindos descreveres, abissais tentativas de expressar a interação com a escrita me vem um descrever mais ousado o mais próximo do perfeito qualificar.
     Escrever, compor, criar, brincar com as palavras, traduzir ao papel sensações, sentimentos, repartir e complementar idéias, externar pensamentos, utilizar-se do argumento das letras, palavras, versos, rimas, métricas, este é um prazer que suplanta o gostar, ou mesmo o amar, o querer.
     Desafio-me e arvoro-me a dizer: "Escrever é como ter um orgasmo com as letras”, com a criação. É gozo pleno, concluso, quando se finaliza um texto, uma composição. Reparam-se no afligir ansioso do poeta, nos arfantes suspiros quando inconclusa poesia. No deslocar de pensamentos, no ausentar-se do cotidiano, no tremer involuntário quando se fixa uma idéia a ser escrita. Real são as pasmosas sensações que um escritor/poeta sente no ato, decorrer do compor/criar. Parêntese aqui, para uma declaração que ouvi em palestra recente do Escritor e Poeta Affonso Romano de Sant’anna que nos contou que em certa vez, durante o processo de uma de suas criações, sua esposa Marina Colassanti, batia-se, machucava-se frequentemente andando pela casa involuntariamente resultado de toda aflição, ansiedade advinda do processo de criação. Reporto-me a o fato para ilustrar os acometimentos que passamos todos quando concebemos, perpassamos até o concluir de uma criação.
     Só um poeta, escritor pode referir o sentimento sem igual quando do término da obra, seja uma pequena trova ou grande tratado. Prazer singular, indizível.
     Para mim e recorrendo a um subsídio poético de um ícone da literatura, Rubem Alves “Ler é fazer amor com as palavras”, digo: Escrever é ter um gozo com as letras. Prazer do qual não pretendo me desfazer, pois que é saciar, fartar a alma e o corpo a mente e coração.
     Alegremente, vibrando quero escrever, poetizar deixar que me latejem os dedos, pulsem e vertam idéias, irrigando papéis telas e que lápis, teclados, sejam pares, cúmplices desses momentos, coniventes com o júbilo final. Não apenas veículos para transposição de idéias, meros e frios componentes da engrenagem.
     Vibraremos todos em igual sintonia e com esse incrível regalo.
     Um prazer que gera outro.
     Partilhar com quem apetecer compartilhar.

 
                             
   
 Escrito Em 23 de outubro de 2008



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