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terça-feira, 20 de março de 2012

O Massacre de Shaperville e o que mudou ao longo destes anos

O Massacre de Shaperville e o que mudou ao longo destes anos

    No dia 21 de março de 1960 em Joanesburgo, capital da África do Sul, 20.000 negros que viviam sob o Regime do Apartheid protestavam contra a lei do passe que os obrigava a portar cartões de Identificação que especificasse os locais por onde eles poderiam circular. Mesmo se tratando de uma manifestação pacífica o exército atirou contra a multidão ferindo 186 e matando 69 pessoas.
     Em memória a tragédia a ONU instituiu o dia 21 de março como Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.
    O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, ratificada pelo Brasil diz o seguinte:
    "Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública" Art. 1.
    O dia 21 de março também ficou marcado por outras posteriores conquistas, como a independência da Etiópia em 1975 e da Namíbia em 1990, ambos países africanos.

     Consta no Dicionário Aurélio: Racismo - Substantivo masculino.
    1. Doutrina que sustenta a superioridade de certas raças.
    2. Preconceito ou discriminação em relação a indivíduo(s) considerado(s)          de outra(s) raça(s).
    § ra.cis.ta adj2g. s2g.

    O racismo ocorre de forma velada ou não, contra árabes, judeus, mas, sobretudo contra negros. No Brasil os negros representam aproximadamente mais da metade da população, em torno de 100 milhões de habitantes, 51% do total da população. Ainda assim, até hoje os negros sofrem com as seqüelas da escravidão e o tema ainda é bastante delicado.
    Pesquisas comprovam que o negro estuda em média 2,1 anos a menos que o branco, a morte por assassinato de negros é muito maior que a de brancos, de 16 milhões de pessoas abaixo da linha da miséria, 70% são negros, assim com dos 14 milhões de analfabetos do país, 70% são negros.
    O desemprego atinge em maior proporção a população negra, ainda que tenham qualificação profissional, e os salários pagos a negros é em média pouco mais da metade do salário pago a brancos.
     Mulheres negras sofrem em dobro com o racismo e o machismo, são desvalorizadas no trabalho, sofrem mais com a violência doméstica e todos os tipos de assédio, são mal atendidas no serviço de saúde pública e tem maior dificuldade de acesso ao mesmo.

    Exemplos de luta a serem seguidos:

    Martin Luther king Jr

    Foi um grande líder negro americano que lutou pelos direitos civis dos cidadãos, principalmente contra a discriminação racial. Era pastor e sonhava com um mundo onde houvesse liberdade e justiça para todos.  Foi assassinado em 4 de abril de 1968.
    Em 03 de abril de 1968, véspera de sua morte, Martin Luther King fez um discurso à comunidade negra, no Tennessee, Estados Unidos, um país dominado pelo racismo. Em seu discurso ele disse: "Temos de enfrentar dificuldades, mas isso não me importa, pois eu estive no alto da montanha. Isso não importa. Eu gostaria de viver bastante, como todo o mundo, mas não estou preocupado com isso agora. Só quero cumprir a vontade de Deus, e ele me deixou subir a montanha. Eu olhei de cima e vi a terra prometida. Talvez eu não chegue lá, mas quero que saibam hoje que nós, como povo, teremos uma terra prometida. Por isso estou feliz esta noite. Nada me preocupa, não temo ninguém. Vi com meus olhos a glória da chegada do Senhor".
    Sua figura ficou marcada na História da Humanidade como símbolo da luta contra o racismo. Em 28 de agosto de 1963 realizou seu mais importante discurso denominado “Eu tenho um sonho”, como parte da Marcha de Washington por Empregos e Liberdade e foi um momento decisivo na história do Movimento Americano pelos Direitos Civis.


    MalcomX

    “Não lutamos por integração ou por separação. Lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos. Lutamos por direitos humanos."
Malcolm X, ou El-Hajj Malik El-Shabazz, foi outra personalidade que se sobressaiu na luta contra a discriminação racial. Ele não foi tão pacífico como Luther King, que era adepto da não-violência, mas foram contemporâneos, lutando por ideais semelhantes, nos quais estava incluída a dignidade humana acima de tudo.
     Sobre seu nome, falou: "Neste país o negro é tratado como animal e os animais não têm sobrenome".
    E sobre os americanos: "Não é o fato de sentar à sua mesa e assistir você jantar que fará de mim uma pessoa que também esteja jantando. Nascer aqui na América não faz de você um americano".
     Quanto a liberdade revelou: "Você só vai conseguir a sua liberdade se deixar o seu inimigo saber que você não está fazendo nada para conquistá-la. Esta é a única maneira de conseguir a liberdade".


    Nelson Mandela

    A frase mais famosa de Nelson Mandela revela e resume toda a razão de sua existência. “A luta é minha vida”. Nasceu em 1918 na África do Sul e dedicou sua vida as lutas contra discriminação racial e as injustiças cometidas contra a população negra.
    Foi o mais poderoso símbolo da luta contra o regime segregacionista do Apartheid, sistema racista oficializado em 1948, e modelo mundial de resistência. No dizer de Ali Abdessalam Treki, Presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas, "um dos maiores líderes morais e políticos de nosso tempo".
    Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul.
    Durante os 27 anos em que ficou preso se tornou símbolo de oposição ao Apartheid e o clamor “libertem Nelson Mandela” se tornou o lema da campanha anti-apartheid em diversos países.

     Nos anos de 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada.  Continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.
Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da paz em 1993.



    No Brasil

    Zumbi dos Palmares

    Zumbi dos Palmares, a mais conhecida personalidade negra do Brasil nasceu em 1655, no estado de Alagoas. Ícone da resistência negra à escravidão liderou o Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas no Brasil Colonial.
     Embora tenha nascido livre, Zumbi foi capturado aos sete anos de idade e entregue a um padre católico, do qual recebeu o batismo e foi nomeado Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre nas celebrações de missas. Porém, aos 15 anos, voltou a viver no quilombo, pelo qual lutou até a morte, em 1695.


    Mãe Menininha do Gantois

    Nascida no Centro Histórico de Salvador em 10 de fevereiro de 1894, Mãe Menininha do Gantois, como ficou conhecida Maria Escolástica da Conceição Nazaré, teve como pais descendentes de escravos africanos, ainda criança foi escolhida para ser Iyálorixá no terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários de Agbeokuta, sudoeste da Nigéria.
    Foi a quarta das Iyálorixá do Terreiro do Gantois e a mais famosa do País. Iniciada no culto aos orixás de Keto aos oito anos de idade assumiu definitivamente o terreiro aos 28. Foi uma das principais articuladoras do término das restrições a cultos impostas pela Lei de Jogos e Costumes de 1930, que condicionava a realização de rituais à autorização policial e limitava o horário de término dos rituais às 22 horas.
    Símbolo da luta pela aceitação do candomblé pela cultura dominante, Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos. Nunca deixou de assistir às celebrações de missa e convenceu os bispos baianos a permitirem a entrada de mulheres – inclusive ela – vestidas com as roupas tradicionais das religiões de matriz africana nas igrejas. A Iyálorixá faleceu de causas naturais, aos 92 anos de idade.


    Juliano Moreira

    Afro-descendente, de origem humilde, nascido na capital da Bahia, Juliano Moreira ingressou na Faculdade de Medicina do Estado em 1886 e foi um dos pioneiros na psiquiatria brasileira, sendo o primeiro professor universitário a citar e incorporar a teoria psicanalítica em suas aulas, além de ter representado o Brasil em congressos internacionais como os de Paris, Berlim, Lisboa e Milão nos anos de 1900.
    Moreira contrariou o pensamento racista existente no meio acadêmico de sua época, que atribuía à miscigenação os problemas psicológicos dos brasileiros. À frente do Hospício Nacional dos Alienados do Rio de Janeiro, acabou com a clausura dos pacientes e humanizou o tratamento psiquiátrico.     Defendeu a idéia de que a origem das doenças mentais se devia a fatores físicos e situacionais, como a falta de higiene e de acesso à educação.
Uma de suas principais lutas foi a reformulação da assistência psiquiátrica pública no país.


    Lima Barreto

    Nascido filho de escravos, em um país que lutava para abolir a escravidão, Afonso Henriques de Lima Barreto tornou-se jornalista e um dos mais importantes escritores e militantes da causa do País. Ainda jovem, aprendeu a trabalhar com tipografia e, em 1902, começou a contribuir para a imprensa brasileira, escrevendo para pequenos veículos de comunicação.
    Em jornais de maior circulação, começou a escrever em 1905, destacando-se, especialmente, no jornal Correio da Manhã, ao realizar uma série de reportagens sobre a demolição do Morro do Castelo. Posteriormente, passou a colaborar em vários jornais e revistas, sendo considerado um dos maiores críticos contra o regime republicano. Simpático ao anarquismo passou a militar na imprensa socialista.


    João Cândido Felisberto

    João Cândido Felisberto o Almirante Negro, militar brasileiro, nasceu em 24 de junho de 1880 em Encruzilhada, Rio Grande do Sul, numa família de ex-escravos. Entrou para a Marinha do Brasil aos 14 anos, onde presenciou chibatadas como penalidades a seus companheiros, apesar de este tipo de castigo ter sido abolido em 1890.
    No ano de 1910, liderou a revolta da tripulação da embarcação Minas Gerais contra seu comandante, que castigara um dos homens da tripulação com 25 chibatadas. Por quatro dias, os navios de guerra Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Deodoro apontaram seus canhões para a Capital Federal. No ultimato dirigido ao Presidente Hermes da Fonseca, os revoltosos declararam: "Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podemos mais suportar a escravidão na Marinha brasileira". O marinheiro passou a reivindicar o fim dos maus-tratos psicológicos e das punições corporais, liderando assim a Revolta da Chibata.

    Antonieta de Barros

    Antonieta de Barros nascida em 11 de julho de 1901 foi a primeira mulher a integrar a Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Educadora e jornalista atuante, teve que romper muitas barreiras para conquistar espaços que eram fechados para mulheres, e muito mais para mulheres negras.
    Deu início às atividades como jornalista na década de 1920, criando e dirigindo em Florianópolis, onde nasceu o jornal A Semana, mantido até 1927. Na mesma década, dirigiu o periódico Vida Ilhoa, na mesma cidade. Como educadora, fundou o Curso Antonieta de Barros, que dirigiu até a sua morte, em 1952, além de ter lecionado em outros três colégios.
    Manteve intercâmbio com a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e, na primeira eleição em que as mulheres brasileiras puderam votar e receberem votos filiou-se ao Partido Liberal Catarinense, quando foi eleita Deputada Estadual. Tornando-se a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no Brasil, trabalhando em defesa dos diretos da mulher catarinense.



     Do massacre que originou a data até os dias de hoje, se passaram 52 anos, e o mundo, apesar de alguma evolução ainda padece com o racismo, e as datas marcadas por fatos negativos devem servir como dias de reflexões, mudanças de atitudes, empreendimento de gestos que possam transformar a dura realidade.
     Temos leis que nos resguardam, e precisamos aprender a utilizá-las na defesa contra o preconceito, a Constituição Federal Brasileira de 1988 diz:
    Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos
    Art. 5. ° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida,  à liberdade,   à igualdade,   à segurança e à propriedade,  nos termos seguintes:
    XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

     Há alguns anos atrás (precisamente em 2004) A campanha “Onde você guarda seu racismo?” foi lançada por mais de 40 organizações da sociedade civil, iniciada em 2001 (Diálogos Contra o Racismo), para uma ampla mobilização anti-racista que envolvesse todos os setores da sociedade, com o objetivo de estimular o diálogo, a troca de idéias, incentivar mudanças de pensamentos, hábitos e atitudes além de estimular o sentimento coletivo de compromisso com a igualdade. O caminho?
     Revelar o perfil do preconceito e da desigualdade racial no Brasil, demonstrando e discutindo as várias formas de guardar o racismo, provando que todas elas são nocivas, destrutivas e contagiosas.
    A campanha teve sua segunda fase em 2006, e independente de sua continuidade pelas organizações governamentais e não governamentais, é valioso fazer essa reflexão, intimamente.

     Onde você guarda seu racismo?

    "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." (Nelson Mandela)


    http://www.dialogoscontraoracismo.org.br/

    http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/onde-voce-guarda-seu-racismo
    http://www.soleis.adv.br/racismo.htm






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Escrevo para.........

Quando escrevo exorcizo fantasmas, é meio abstração e também minha realidade se despindo.Sou eu me confessando a mi mesma.

Um Poetrix ...verdinho......


Escrevo para....

Escrevo para por no mundo pequenas ânsias, escrevo para aportar desejos aflitos, escrevo para me salvar, é como Jogar as âncoras, o barco ora vai ao sabor das ondas, ora é a deriva....
Escrevo para acariciar as suas almas,e ser tocada por seus olhos impressos de brilho!
escrevo para Gozar,Flutuar, ser e merecer, Escrevo para seus delírios, seu deliciar!
Escrevo para vocês,
Agradeço seus olhos em mim, na minha ruptura poética!
Escrevo!

Muito grata por me sorverem as letras!
A todos que aqui passarem seus olhos, mentes e corações!
Rose

Sobrepondo Sonhos.....