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segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Alva da Praia ( Conto e Poesia )



A Alva da Praia

O porteirão era a praia. Quintal e praia. Rios e quintal. Não tinha mesmo era fronteira. Os limites do seu lar suplantavam um certo infinitar. Sua tela da janela era entre o verde e o azular. Chuvas e sol eram o decorar. A moldura era contorno de alvo - alvejar. Buscava do mar alimento, vinha de lá seu alegrar e as razões do suspirar. Corria pelas vielas do povoado, a Alva acasalava com o mar. Como que em alvo cio no mar ela se sumia. Mergulhava a luz da lua, no Rio desaparecia. Passado um tempo que não se conta, lá vinha a Alva, cabelos negros molhados, pele viçosa, rosada. Satisfeita, aroma de ter derramado. Povo era ensimesmado, aonde ela ia quem a copulava? Ela nunca namorara. Mas o viço era perfeito. Eita mulher fogosa acesa daquele jeito. Um moço afiançava, em nome de Deus jurava o moleque de Alva em surdina nasceu, barriga ninguém percebeu. A quem pode enxergar,viu, a constatar, ele tinha nos pés Abas de nadar.Era lisinho, viscoso recendia a pitiú, a Alma o rebento ocultava,nunca ninguém os olhos lhe botava. Homem que a procurava ela logo despachava e sempre ele reclamava de sentir nela entranhado cheiro de quem ajuntava. O mar, ou seja, quem fosse os seres que ela se deitava,enchiam de inveja os homens que se punham a procurar o rival sem encontrar... Teve até quem quis a força a Alva segurar, mas de tanto deitar com o mar a moça lisa também era, ninguém conseguia pegar. Aquela pele branquinha ao tocar era um sabão, nas mãos escorregadia, tentadora punição. Um dia as coisas arrumou, se rindo pegou seu rebento parecia que se ia, a casa velha trancou. Bem de madrugada foi em silêncio e assim contente, ninguém a viu sumiu,dizem que nas águas do rio. Vilarejo intrigado, não dorme pescador de madrugada, morador ficou cismado todos ficaram embriagados só espertos com sol alto. Neste dia ninguém pescou, peixes fugiram das redes, os homens assim atraídos, largavam suas famílias para água eles iam, e lá todos se condoíam e naquele dia a água, exalou um cheiro forte. Do gozo intenso dos homens da mulher, do mar o sexo. Tem gente que diz que viu, tem gente que diz que ouviu. Há quem tenha pegado o pitiú respirado. Eu mesma só sei que ouvi lá nas bandas onde morava. De pescador ou de mar, de verdade ou de mentira, rios que guardam seus segredos, águas, lugar de degredos.






Observações:
PITIÚ: Cheiro forte característico do peixe, cheiro de mar, maresia.

A praia Chama-se Praia dos Pescadores, em Salvaterra, Na Ilha do Marajó- Pará – Brasil, lugar onde vivi a infância e parte da adolescência.


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Este texto faz parte do Exercício Criativo - Conversa de Pescador
Saiba mais, conheça os outros textos:
http://encantodasletras.50webs.com/pescador.htm

Um comentário:

Jorge Sader Filho disse...

Uma visão do mar, paixão da autora, em concisa prosa poética, mostrando a história local.
Texto de primeira.
Beijos, Rose.

Dezembro vindo.....

Daisypath Anniversary tickers
Monarch Butterfly 2

Escrevo para.........

Quando escrevo exorcizo fantasmas, é meio abstração e também minha realidade se despindo.Sou eu me confessando a mi mesma.

Um Poetrix ...verdinho......


Escrevo para....

Escrevo para por no mundo pequenas ânsias, escrevo para aportar desejos aflitos, escrevo para me salvar, é como Jogar as âncoras, o barco ora vai ao sabor das ondas, ora é a deriva....
Escrevo para acariciar as suas almas,e ser tocada por seus olhos impressos de brilho!
escrevo para Gozar,Flutuar, ser e merecer, Escrevo para seus delírios, seu deliciar!
Escrevo para vocês,
Agradeço seus olhos em mim, na minha ruptura poética!
Escrevo!

Muito grata por me sorverem as letras!
A todos que aqui passarem seus olhos, mentes e corações!
Rose

Sobrepondo Sonhos.....