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terça-feira, 2 de junho de 2009

Arca das lembranças


Arca das lembranças

Baús, arcas, cofres de sentimentos e lembranças deviam ser assim:
Acorrentados, apostos imensos e pesados cadeados e por fim numa cerimônia de desfazimento atiraríamos no mais profundo rio, e lá permaneceriam para sempre. Então nosso ser estaria livre, leve, a alma vazia, coração aberto, sem retrocessos, dores, mágoas ou lembranças.

Nunca mais aquelas lembranças. Nunca mais.

A vida não nos brinda com todas as realizações dos nossos quereres. Em muito ela nos conduz, é dona dos nossos atos, e ficamos a mercê de acontecimentos. Logo, baús pesados já não são tão pesados, nem tão pouco naufragados. Por vezes nem baús são, repousam em simples e destrancadas gavetas as nossas lembranças, vivências, aquilo que sabemos ter findado,
passado, mas agasalhamos o bom do lembrar, o memorável, em frágeis cantos.

E quando menos esperamos, numa literal arrumação, um pequeno amarelado cartão, uma carta, um email, uma fotografia e lá se vem em torrentes, saindo das gavetas a vida inteira de volta, ai o que fazer? É sensato o recordar, deixar assolar os cheiros e as cenas, rir e chorar, de alegria, de saudades. Muitas saudades, da boa.
Catarse a parte, isso nos enriquece, renova, mostra o quanto fomos capazes de amar, como somos, fomos aptos ao querer bem, ao gostar, quão foram, são especiais para nós aquelas pessoas, o que influenciaram,contribuíram para nossas vidas, nossas melhoras, acréscimos.
Vale encher os olhos de brilho, fecha-los, fazer nossas viagens, trilhar reminiscências...
Ao retornar de certo nossa alma estará bem. Nesta hora, de mansinho abrimos a gaveta e restituímos lá nossa emérita, singular lembrança. Gaveta fechada, sem chave, perseguimos nosso caminho, prosseguimos na estrada.

Isso nos é essencial. A vida quer que seja assim. Assim será.
Sem chaves, cadeados, arcas e oceanos.
Apenas sutis agasalhos, carinhosos e próximos achados de nós.

2 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Será que conseguimos fazer isto, Rose? Acho difícil.
Beijos.

Anezinha disse...

vale tentar querido Jorge...para não sofrer tanto.....
bjs
Rose

Dezembro vindo.....

Daisypath Anniversary tickers
Monarch Butterfly 2

Escrevo para.........

Quando escrevo exorcizo fantasmas, é meio abstração e também minha realidade se despindo.Sou eu me confessando a mi mesma.

Um Poetrix ...verdinho......


Escrevo para....

Escrevo para por no mundo pequenas ânsias, escrevo para aportar desejos aflitos, escrevo para me salvar, é como Jogar as âncoras, o barco ora vai ao sabor das ondas, ora é a deriva....
Escrevo para acariciar as suas almas,e ser tocada por seus olhos impressos de brilho!
escrevo para Gozar,Flutuar, ser e merecer, Escrevo para seus delírios, seu deliciar!
Escrevo para vocês,
Agradeço seus olhos em mim, na minha ruptura poética!
Escrevo!

Muito grata por me sorverem as letras!
A todos que aqui passarem seus olhos, mentes e corações!
Rose

Sobrepondo Sonhos.....